Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciará hoje o novo valor do salário mínimo, que deve passar dos atuais R$ 240 para R$ 260 1,5% acima da inflação. Lula convocou 10 ministros para a quarta reunião sobre o assunto, mas, na prática, sua decisão já está tomada. Trata-se de uma vitória do ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, que convenceu o presidente da necessidade de dar um aumento menor para não provocar a explosão dos gastos da Previdência. O chamado pacote do mínimo também incluirá o reajuste do salário-família, que deve saltar de R$ 13,48 por filho para R$ 25.
Em conversas com assessores, nos últimas dias, Lula não escondeu a angústia. Comparou sua situação a uma encruzilhada, já que a vida inteira levantou a bandeira da recuperação do mínimo. Chegou a prometer na campanha eleitoral dobrar o poder de compra do piso até o fim do mandato, em 2006. Agora, porém, o Planalto já admite ''rever'' essas metas. ''Sei que o governo tem uma dívida social muito grande com o povo e estou fazendo o possível para pagá-la. Quando eu terminar o meu mandato, quero encontrar os companheiros nas ruas e voltar a chamá-los novamente de companheiros'', disse Lula, na semana passada, durante reunião com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho.
Apesar das queixas dos ''desenvolvimentistas'' da área social e política, que defendiam um mínimo de R$ 270, fora o reajuste do salário-família, o presidente pediu a todos que não atacassem a política econômica. ''Buscamos o ponto de equilíbrio para elevar o poder aquisitivo e garantir a manutenção das contas públicas, que não podem ser comprometidas'', afirmou o ministro-chefe da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, Jaques Wagner.
No PT, porém, a repercussão do aumento causou mal-estar, que não foi contornado. Dirigentes do partido destacaram que não se pode contrapor o reajuste do mínimo ao dinheiro reservado para investimentos. Nas últimas três reuniões sobre o assunto, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, insistiu em que o governo tinha de fazer essa escolha, uma vez que havia fortes restrições orçamentárias. ''O problema é que distribuir renda agora significa ir contra o ajuste fiscal do ministro Palocci'', protestou o deputado Ivan Valente (PT-SP), integrante da ala radical petista. ''O PT e o governo Lula ficam bastante comprometidos, aos olhos da população. Isso não é salário mínimo que se apresente!''
Na outra ponta, o deputado Professor Luizinho (PT-SP), líder do governo na Câmara, insistiu em que o presidente fez ''todo o esforço possível'' para garantir um ganho acima da inflação aos trabalhadores. ''A alternativa do salário-família foi uma boa solução''. Agora, idéia é que o benefício previdenciário para quem ganha até R$ 560,81 seja pago apenas até o limite de três filhos. Mas a lei sobre o assunto não poderá ser mudada imediatamente.

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