Lula ameaça desistir e oposição marca reunião de emergência
Arquivo FolhaLula: sem o PDT candidato pode desistir de concorrerO candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu ontem que pode se retirar da disputa após a recusa do PT fluminense em apoiar o pedetista Anthony Garotinho na sucessão estadual, o que compromete a aliança com o PDT. Ao comentar ontem a decisão dos petistas no Rio, referiu-se à sua candidatura no passado. Éramos a mais importante alternativa a Fernando Henrique Cardoso, a melhor possibilidade de derrotá-lo, afirmou. Os companheiros jogaram por terra, ou, pelo menos, jogaram um balde de água gelada numa idéia que estava quente, quando todos nós esperávamos para o começo do mês (dia 7) o anúncio do PSB de apoiar a nossa candidatura, afirmou.
Só aceitei ser candidato porque acreditava piamente que era capaz de ganhar do Fernando Henrique, disse Lula. Mas parece que, com essa posição, tem gente no PT que só quer marcar posição e eu não estou (na disputa) para marcar posição. A definição em torno de sua candidatura, entretanto, só sairá depois de negociações com os presidentes do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, do PSB, o governador Miguel Arraes (PE) e do PC do B, João Amazonas. As legendas compõem a frente de oposição ao governo federal e deveriam ter representação única na eleição.
Os presidentes do PT, PDT, PSB e PC do B devem fazer hoje em Brasília, a partir das 17 horas, uma reunião de emergência com o candidato a presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. José Dirceu, Leonel Brizola, Miguel Arraes, João Amazonas e Lula vão conversar sobre a crise das esquerdas, provocada pela decisão do PT do Rio, de rejeitar a aliança com o PDT e lançar a candidatura ao governo do Estado do ex-deputado Vladimir Palmeira.
Uma reunião da Executiva nacional do PT, realizada ontem, abriu a possibilidade de intervenção no diretório do Rio. Conforme nota da Executiva, o PT do Rio contrariou deliberação anterior que pregou a necessidade de alianças entre as esquerdas, em documento chamado de Carta do Rio. Conforme esta decisão, tomada no ano passado, nenhuma deliberação regional poderia se sobrepor à nacional. Trata-se de uma tentativa de salvar a chapa Lula/Leonel Brizola.
Logo depois de saber do resultado da convenção regional do Rio, o ex-governador Brizola anunciou que o PT tinha rompido o acordo feito com o PDT. Portanto, não daria mais apoio ao candidato petista no Rio Grande do Sul. Brizola aproveitou para anunciar o lançamento da candidatura da senadora Emília Fernandes (PDT-RS) ao governo do Estado. Ele comentou ainda que o problema com o PT não se resume ao Rio de Janeiro. Está presente em Pernambuco, na Bahia e em Santa Catarina, só para citar alguns Estados. (AE)





