Brasília - Depois de criticar o Judiciário, na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu ontem a busca de harmonia entre os Poderes. Durante abertura da 14 Cúpula Judicial Ibero-Americana, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Lula disse que ingerências entre os três Poderes podem comprometer a independência. ''A eventual ingerência de um Poder sobre o outro compromete a gestão e o atendimento do interesse público. A independência do Judiciário é a base para a imparcialidade de seu julgamento'', disse Lula.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, que foi indiretamente criticado por Lula na semana passada, não participou da cerimônia, apesar de ter sido convidado. Na saída do evento, Lula disse que não existe guerra entre os Poderes. ''Nunca estive em guerra. Sou um homem de paz. Vocês não lembram da minha campanha em que o lema era 'Lula paz e amor''', ironizou.
Em sua fala - lida e sem improvisos-, o presidente disse ainda que a independência e a separação dos Poderes é garantia contra o arbítrio de um sobre o outro e que não zelar pelo cumprimento das atribuições de cada esfera é ''omissão na defesa do estado democrático''.
Ele aliviou o discurso pedindo harmonia entre os Poderes: ''Um dos elementos vitais para a democratização não poderia ser outro senão a plena e contínua luta pela harmonia entre os poderes''.
Para Lula, as divergências são naturais e parte da democracia. ''É salutar que haja diálogo e controvérsia entre as diversas esferas de controle do poder'', disse.
Na semana passada, Lula criticou o Judiciário e alfinetou o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello, por questionar o programa Territórios da Cidadania.

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