Lula afirma que protege economia da 'pequenez política'
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quarta-feira, 28 de setembro de 2005
Eduardo Scolese<br>Folhapress 
Eunápolis (BA) - Dizendo-se otimista na inauguração do maior projeto privado em seu governo, a fábrica da Veracel Celulose no sul da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou ontem seus antecessores e disse que está governando o país para proteger a economia daquilo que chamou de alguns casos de pequenez política. Em Eunápolis, diante de empresários brasileiros e estrangeiros, a maioria deles do ramo da celulose, Lula voltou a citar dados positivos de seu governo, como exportações, importações, concessão de créditos, geração de emprego e controle da inflação. Ao tratar desses temas, alfinetou os pacotes econômicos de gestões passadas - José Sarney (1985-90) e Fernando Collor (1990-92) -, dizendo que, em tais ocasiões, os empresários eram pegos de calça-curta e empobreciam.
Nós estamos deixando de fazer, no Brasil, a política de curto prazo, a política pensada apenas até a próxima eleição, a política pensada apenas no próximo mandato, a política pensada apenas para um partido político. Nós estamos pensando, como eu disse no meu discurso [lido minutos antes], um país para os nossos netos, para os nossos filhos, para os nossos bisnetos, declarou.
E, prosseguiu, já em trecho improvisado de sua fala: Um país que entre definitivamente no rol dos países desenvolvidos, em que a política econômica seja blindada com relação à pequenez política que, de vez em quando, acontece no nosso país. Que a política econômica seja elaborada pensando na nova geração e não pensando na próxima eleição.
Aplaudido pelos presentes, que lotaram um auditório montado numa fábrica instalada em meio a milhares de hectares de eucaliptos, Lula insistiu no tema, tratando, então, dos modelos de política econômica de seus antecessores.
Nesse momento, o presidente preferiu não citar nomes, mas deixou subtendido uma crítica a Collor e a um de seus principais aliados no momento no Congresso, o senador José Sarney (PMDB-AP), que, assim que chegou ao Planalto, lançou o mais tarde fracassado Plano Cruzado. E todos se lembram que a economia brasileira era feita por pacotes. Entrava um ministro da Fazenda, ele já queria bolar o seu pacote e já lançava. Era o plano fulano de tal, era o plano sicrano de tal, era o plano com o nome do presidente. Acontece que todos eles não tiveram longa duração. E todos eles, ao terminarem, as empresas estavam mais pobres, os empregados mais desempregados e a sociedade brasileira mais pobre, acrescentou.


