Lula afirma que ajuste é insuficiente
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quarta-feira, 09 de setembro de 1998
Agência Folha 
O candidato da frente de esquerda à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comentou ontem, com um dia de atraso, as medidas anunciadas pelo governo para combater a fuga de capitais. O governo sabe que as medidas são insuficientes diante do tamanho da crise. Só há uma saída, que é mudar o modelo, investindo na produção e aumentando as exportações , declarou Lula.
O comando da campanha presidencial de Lula decidiu que, a partir da próxima semana, a propaganda do candidato na TV vai priorizar peças mostrando que ele está preparado para enfrentar a crise financeira. A opção foi tomada depois que pesquisas revelaram que a maioria do eleitorado acredita que o presidente Fernando Henrique Cardoso é o melhor para conduzir o país numa situação de turbulência, o que está atrapalhando o crescimento do petista e dificultando um segundo turno na disputa. Vamos trabalhar a imagem do Lula como solução para a crise , afirmou José Américo Dias, da equipe de comunicação.
Um dos comerciais vai mostrar que o candidato seria o único capaz de fazer, por exemplo, a indústria nacional sobreviver, gerando mais empregos. Já o voto em FHC será vinculado, em outra inserção, como o apoio à especulação. Nesta semana, o horário político de Lula vai responsabilizar FHC pela crise, além de tentar mostrar o efeito do vendaval financeiro no cotidiano da população, com os reflexos da alta de juros no crediário e no pagamento de dívidas.
Outro argumento a ser usado é o de que a elevação dos juros e o corte de gastos no Orçamento vão gerar mais desemprego. Vamos combinar a denúncia da impotência do governo diante da crise com a apresentação de nossas propostas para enfrentá-la , afirmou Tarso Genro, um dos coordenadores da campanha de Lula.
Intervenção O economista Guido Mantega, assessor do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o governo federal realizou ontem uma intervenção branca no câmbio. Segundo ele, o Banco Central (BC) teria fiscalizado as mesas de operação dos bancos privados, exigindo comprovantes de todas as remessas ao exterior de dólares flutuantes. O BC não impediu, mas inibiu a saída de recursos do País, sustentou Mantega, um dos formuladores do programa de governo de Lula. Mas isso foi feito por baixo do pano. O chefe do Departamento de Câmbio (Decam) do BC, José Maria Carvalho, negou ontem que a instituição tenha intensificado o trabalho de monitoramento sobre as operações de câmbio para evitar a saída de recursos do País.


