Lula afasta Graziano da divulgação do Fome Zero
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília- Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, foi afastado da linha de frente de divulgação do programa Fome Zero. Graziano cuidará da parte burocrática do projeto e da adoção, em mais 200 municípios, do cartão-alimentação, cujo piloto está em execução desde fevereiro, em Acauã e Guaribas (PI), no Semi-Árido nordestino. A ordem de Lula foi dada em reunião com ele e assessores, na noite de anteontem, no Palácio do Planalto.
Com o afastamento de Graziano, da mídia, principalmente, o presidente procura evitar novos desgastes para o amigo, que o assessorou nas campanhas presidenciais de 1994, 1998 e 2002, e que idealizou o Fome Zero (ele é especialista em segurança alimentar e professor da Universidade Estadual de Campinas, no interior de São Paulo), evitando, assim, a demissão. Para o lugar do ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome na tarefa de fazer a exposição e divulgação do Fome Zero daqui para a frente, entram os assessores especiais da Presidência República Carlos Alberto Libânio Christo, o frei Betto, e Oded Grajew. Frei Betto e Grajew darão publicidade às novas ações da proposta.
Lula considera que Graziano se desgastou demais desde que, há cerca de um mês, disse, durante uma palestra, em São Paulo, que era preciso segurar os nordestinos nos Estados, caso contrário, os sulistas teriam de continuar a fazer blindagem nos carros. O ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome pediu desculpas públicas, fez carta ao Senado, disse que a comparação havia sido infeliz e que sempre fora um grande amigo dos nordestinos, mas não adiantou.
O governo foi atingido pelo desgaste de Graziano porque manifestações políticas contrárias a ele surgiram País afora. No Recife, por exemplo, foi criado um movimento denominado ''Xô, Graziano''.


