Esteio (RS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que o projeto de reforma tributária, aprovado na madrugada de anteontem na Câmara dos Deputados, será modificado durante sua tramitação no Senado. ''Negociamos o texto com os governadores e vamos negociá-lo no Senado, porque o governo federal não é o dono da verdade. Defende sua tese, mas está aberto a outras teses que se apresentarem mais eficazes do que a sua'', declarou o presidente em Esteio, a 30 km de Porto Alegre.
Lula disse ter estranhado reportagens publicadas a respeito da votação da reforma tributária. ''É que a imprensa não está acostumada com negociação, e sim com negociata. Aprendi que a democracia não é a supremacia da vontade do governante sobre a sociedade, mas a supremacia da sociedade sobre o governante.'' O presidente criticou de forma generalizada seus antecessores no cargo, por não terem feito a reforma que considera necessária. ''A moda é discutir a política tributária. Que bom que estejamos discutindo política tributária de verdade, porque antes era apenas uma peça de retórica diferente defendida por nós políticos, pelos empresários, por Estados e por municípios.''
O presidente afirmou que as reformas que defende pretendem ''adequar o Brasil ao século 21, e não discutir o século passado''. Ao se referir à futura discussão da revisão da lei trabalhista, que pretende ver iniciada ainda neste ano no Congresso, sinalizou a linha que pretende adotar. ''Vamos manter os direitos trabalhistas, mas não podemos permitir que privilégios sejam tratados como direitos. Privilégios são para poucos, direitos para todos'', declarou.
Lula visitou Esteio para participar da Expointer, a maior feira de agronegócios da América Latina. Ele estava acompanhado do presidente do Uruguai, Jorge Batlle, que morou no Rio Grande do Sul e se definiu como um gaúcho. Ouviu cobranças como a do presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Carlos Sperotto.

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