Brasília - O pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou claro ontem, depois de um jantar com a cúpula do PL, que o programa de governo da chapa petista será ajustado às idéias de seus eventuais aliados – cuja lista inclui legendas tão diferentes quanto o PC do B, setores do PMDB e o PL.
Representante da Igreja Universal do Reino de Deus na reunião, o deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) elogiou a disposição do PT de negociar um projeto conjunto. ‘‘Não é que o PT está mais liberal. É que agora o PT está se fazendo entender melhor pela sociedade.’’
Mas, até agora, quem cedeu foi o PL. Após o encontro realizado anteontem à noite, o PT conseguiu apoio dos liberais a algumas de suas propostas, como a renegociação da dívida externa. Nas diretrizes do programa de governo petista já divulgado, foi incluída a defesa de uma auditoria e renegociação da dívida externa pública, o que é previsto na Constituição de 1988 e nunca foi cumprido. Os comandos dos dois partidos marcaram um novo encontro, que deve ocorrer após a prévia do PT marcada para março, quando será escolhido o candidato ao Planalto.
Segundo o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), os pontos básicos do projeto de governo não serão retirados da proposta. ‘‘O caráter do programa não pode ser alterado, porque deixaria de ser o nosso programa’’, declarou Dirceu, sem detalhar, no entanto, os pontos inegociáveis. Lula, porém, disse que não se constrói uma coligação sem a união de idéias. ‘‘Quando se faz um programa de governo, você é obrigado a aceitar as reivindicações dos partidos aliados’’, disse ele, depois de tomar café da manhã com o senador José Alencar (PL-MG), cotado para candidato a vice na chapa encabeçada pelo petista. ‘‘O programa não será do PT para o PT’’, acrescentou.

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