Lula admite mudar programa petista para facilitar alianças
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Brasília - O pré-candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, deixou claro ontem, depois de um jantar com a cúpula do PL, que o programa de governo da chapa petista será ajustado às idéias de seus eventuais aliados cuja lista inclui legendas tão diferentes quanto o PC do B, setores do PMDB e o PL.
Representante da Igreja Universal do Reino de Deus na reunião, o deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) elogiou a disposição do PT de negociar um projeto conjunto. Não é que o PT está mais liberal. É que agora o PT está se fazendo entender melhor pela sociedade.
Mas, até agora, quem cedeu foi o PL. Após o encontro realizado anteontem à noite, o PT conseguiu apoio dos liberais a algumas de suas propostas, como a renegociação da dívida externa. Nas diretrizes do programa de governo petista já divulgado, foi incluída a defesa de uma auditoria e renegociação da dívida externa pública, o que é previsto na Constituição de 1988 e nunca foi cumprido. Os comandos dos dois partidos marcaram um novo encontro, que deve ocorrer após a prévia do PT marcada para março, quando será escolhido o candidato ao Planalto.
Segundo o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), os pontos básicos do projeto de governo não serão retirados da proposta. O caráter do programa não pode ser alterado, porque deixaria de ser o nosso programa, declarou Dirceu, sem detalhar, no entanto, os pontos inegociáveis. Lula, porém, disse que não se constrói uma coligação sem a união de idéias. Quando se faz um programa de governo, você é obrigado a aceitar as reivindicações dos partidos aliados, disse ele, depois de tomar café da manhã com o senador José Alencar (PL-MG), cotado para candidato a vice na chapa encabeçada pelo petista. O programa não será do PT para o PT, acrescentou.


