Brasília - Ao fazer ontem um balanço do programa Fome Zero, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu falhas no primeiro ano de implantação dos programas na área social apesar de dizer que o governo fez tudo o que podia , elogiou os ex-ministros da área José Graziano e Benedita da Silva e disse que o investimento no setor vai depender do crescimento da economia.
''O programa Fome Zero e o Bolsa-Família, na minha opinião, estão consolidados no nosso país. Falta agora atender à plenitude de pessoas que precisam ter acesso a eles. E isso exige recursos. E para ter recursos a economia precisa crescer. Precisamos arrecadar mais e colocar mais dinheiro na política social'', afirmou o presidente.
O primeiro ano do governo Lula foi marcado por um forte ajuste fiscal - na área social o corte de gastos chegou a R$ 5 bilhões. Ontem, o ministro Guido Mantega (Planejamento) afirmou que este ano o orçamento do Bolsa-Família e do Fome Zero serão executados. ''Os compromissos que assumimos (na área social) serão cumpridos na sua íntegra'', disse.
Para marcar o primeiro ano do Fome Zero, a principal marca social do governo, Lula fez um discurso improvisado de 40 minutos. Elogiou ex-assessores e ministros e foi vago em relação às mudanças ou os novos caminhos para a área social. ''Estou convencido de que possivelmente cometemos muitos erros neste primeiro ano. E não poderia ser diferente. A coisa que eu mais queria na vida era que meu filho aprendesse a andar sem cair, sem levar nenhum tombo, mas ele teve muitos tombos até aprender a andar'', disse o presidente.
Entre os elogiados por Lula estão Oded Grajew, que tomou a iniciativa de sair do governo no fim do ano passado, e o ex-ministro José Graziano, demitido por Lula da pasta da Segurança Alimentar depois de implantar o Fome Zero.
Lula disse ainda que os números de atendimento ''mostram que o ceticismo demonstrado por algumas pessoas sobre o programa não havia razão de ser''. O Fome Zero está presente em 2.369 municípios e atende 1,9 milhão de famílias.
Como pontos positivos do programa, Lula citou, além dos números, a participação da sociedade - que fez doações de alimentos - e dos empresários, que financiaram algumas ações, como a construção de 10 mil cisternas em pequenas cidades do semi-árido nordestino. Em relação aos rumos dos programas sociais, Lula disse apenas que é hora de levá-los às periferias das grandes cidades, onde há altas taxas de desemprego e violência.

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