Brasília - Embora tenha defendido ontem, na reunião com líderes da base aliada no Congresso, a necessidade de manutenção do regime de urgência para a tramitação dos projetos que definem o marco regulatório do pré-sal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou-se sensível a apelos e propôs uma nova discussão na próxima semana para que seja feita uma avaliação do cenário.
''Deixa decantar o processo. Eu não me pauto pelos jornais. Estou aberto a discussão. A questão da urgência, vocês é que têm de dizer'', disse o presidente, na reunião, segundo relato do líder do PSC na Câmara, deputado Hugo Leal (RJ). Uma fonte da Presidência que participou da reunião confirmou a informação de que Lula está disposto a discutir novamente a urgência e, durante as discussões, chegou a admitir que pode ser convencido a mudar de ideia.
A mesma fonte estranhou as declarações dos líderes Aloizio Mercadante (PT-SP) e Ideli Salvatti (PT-SC), que afirmaram que o presidente estaria convencido da urgência e relevância dos quatro projetos que definem o marco regulatório do pré-sal. Na reunião, de acordo com o deputado Hugo Leal, os líderes, entre eles, Henrique Fontana (PT-RS), advertiram que poderiam ficar desmoralizados caso Lula decidisse retirar a urgência dos projetos.
Lula ponderou, ainda conforme Leal: ''Vamos esperar uma semana e depois a gente volta a conversar''. Lula também insistiu que a distribuição de royalties não tem que ser decidida agora para não contaminar o debate em relação aos outros projetos. Na segunda parte da reunião, já sem a presença do presidente Lula, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o vice-presidente, José Alencar, defenderam a manutenção da urgência.
Mas os líderes avaliaram que uma posição só pode ser fechada na presença do presidente. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, contou que conferiu com o presidente Lula sobre a sua posição em relação à urgência. Lula, conforme o ministro, afirmou: ''A decisão é manter a urgência''.
Segundo a líder do governo no Congresso Nacional, Ideli Salvatti (PT-SC), na reunião com lideranças políticas do governo no Congresso, apenas o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves, manifestou preocupação em tirar a urgência. Mas o presidente não se sensibilizou, não se ''demoveu'', disse Ideli.

mockup