Lula admite cassação de Dirceu
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terça-feira, 08 de novembro de 2005
Leonêncio Nossa e Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admitiu, em entrevista gravada ontem para o programa Roda Viva, da TV Cultura, que o seu ex-ministro, deputado José Dirceu (PT), terá o mandato cassado por problemas políticos. Lula se recusou mais uma vez a identificar quem o traiu no governo, mas criticou o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
''Não poderia imaginar que o PT e o Delúbio iriam terceirizar as finanças do partido. O PT nunca poderia ter praticado coisas intoleráveis, como caixa 2'', afirmou Lula. Ao criticar o caixa dois, Lula contraria o teor de sua entrevista concedida em Paris, quando disse que a prática fazia parte dos costumes políticos. A uma pergunta se José Dirceu foi o grande traidor, Lula negou e disse que o PT cometeu falhas. O presidente disse que não defende o caixa 2 e que não acredita na esquema do mensalão. ''O caixa 2 é uma prática intolerável'', afirmou.
Ainda segundo relato de participantes da entrevista que foi transmitida ontem à noite pela TV Cultura, Lula afirmou que a denúncia de que o governo cubano teria financiado a sua campanha à presidência da República, é uma ''história inverossímel'', ''porque Cuba é muito miserável para emprestar dinheiro, mas tem de investigar''. Em relação ao caso do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, Lula disse acreditar que foi um crime comum, sem conotação política.
Ao ser perguntado se não gostava de trabalhar, em razão do grande número de viagens nacionais e internacionais, Lula, demonstrando tranquilidade, respondeu: ''Nunca trabalhei tanto e nunca se trabalha tanto em viagens''.
Sobre as denúncias de que o seu filho, Fábio, foi beneficiado com a venda de parte das ações de sua empresa para a Telemar, Lula disse não ver problemas. ''E por que não? Os filmes (produzidos pela empresa do filho) têm mais audiência na TV que a MTV''.
Lula segundo ainda os participantes, ficou constrangido com questões como o surgimento de focos da febre aftosa em Mato Grosso do Sul. O governo é acusado de não ter investido na vigilância sanitária e não ter feito um trabalho de prevenção contra a doença.
O presidente reafirmou que o governo dele não obstruiu nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), diferentemente de governos anteriores e pediu cautela e investigação profunda sobre todas as denúncias contra o governo, especialmente a de que o Banco do Brasil financiou o suposto mensalão.


