Brasília - Na terceira reunião realizada para tentar definir o novo salário mínimo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu paciência aos ministros e avisou que só vai decidir o valor na semana que vem. O encontro foi mais uma vez marcado por um impasse: irredutível em sua posição, a equipe econômica quer que o salário mínimo passe dos atuais R$ 240 para R$ 256, podendo chegar, no máximo, a R$ 260. Do outro lado, os ministros da área social, política e de infra-estrutura insistem em um mínimo de R$ 270.
O presidente será o árbitro da queda-de-braço, que envolve diferentes pontos de vista sobre como retomar o crescimento. ''Eu entendo os argumentos dos dois lados, mas preciso pensar bastante'', disse Lula. ''Tenham paciência.'' O único item de consenso, até agora, refere-se ao aumento do salário-família, para amenizar a repercussão negativa do baixo reajuste no valor do mínimo. Pago aos empregados com filhos de até 14 anos, o benefício previdenciário entrará no pacote a ser anunciado pelo presidente, para vigorar a partir de 1º de maio.
Os ministérios da Fazenda e Planejamento concordam em fazer com que o salário-família salte de R$ 13,48 para R$ 25 por filho. Assim, quem tem três filhos e ganha o mínimo poderá receber R$ 335. Porém, ministros consultados pela AGÊNCIA ESTADO disseram que não há como mudar a lei imediatamente para que o benefício seja pago apenas até o limite de três filhos, como defende a equipe econômica. Atualmente não há esse teto e sua aplicação, em estudo pelo governo, pode demorar até um ano para ser concretizada.
Em três horas de conversa com sete ministros, pela manhã no Planalto, Lula ouviu com atenção as ponderações do ministro do Planejamento, Guido Mantega, que alegou ser inviável elevar o mínimo para R$ 270, como pregam os chamados ''desenvolvimentistas'' do governo. Na ponta do lápis, Mantega calculou o impacto desta proposta, apresentada pelo Ministério do Trabalho: a cifra de R$ 270, equivalente a reajuste de 1,5% acima da inflação, causaria uma despesa adicional de R$ 2,5 bilhões.
Já o valor defendido pelos ''monetaristas'' representaria bem menos: R$ 1 bilhão além do programado. A equipe econômica sustenta que, para cobrir a despesa, será preciso aumentar a arrecadação de impostos.
Na tentativa de convencer Lula a conceder um reajuste menor, a equipe econômica também argumenta que, para cada R$ 1 de aumento do mínimo, a despesa da Previdência cresce R$ 12,62 milhões por mês, ou R$ 164 milhões por ano.
Cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que, para atender às necessidades dos trabalhadores e de suas famílias, o mínimo deveria ser hoje de R$ 1.442,46. Além dele, participaram da reunião com Lula os ministros José Dirceu (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Trabalho), Luiz Gushiken (Comunicação do Governo), Aldo Rebelo (Coordenação Política), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), José Viegas (Defesa) e o secretário-executivo da Fazenda, Bernard Appy, na condição de ministro em exercício, já que Antonio Palocci está nos Estados Unidos.

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