Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende reduzir sua agenda de viagens internacionais neste ano. Vai se dedicar mais às andanças pelo País, inaugurando obras sociais e de infra-estrutura. A estratégia, lançada na última sexta-feira, em Poços de Caldas, durante a inauguração de uma pequena central hidrelétrica, procura dar visibilidade à ação administrativa do governo e também de ajudar o PT, dando combustível para os candidatos do partido nas eleições municipais.
Em 2003, o governo esteve sufocado pelo ajuste fiscal e investiu pouco em infra-estrutura. Neste ano, a situação fiscal não é muito melhor, mas o Planalto planeja duplicar os investimentos orçamentários e utilizar suas estatais e recursos do FGTS para financiar projetos de impacto nas áreas econômica e social.
''É um ano de maior crescimento econômico e, portanto, vai haver necessidade de ter mais estradas, mais portos, aumentando a exportação e o comércio exterior'', justifica o ministro do Planejamento, Guido Mantega. Ele garante que pelo menos R$ 8 bilhões dos R$ 12 bilhões previstos no Orçamento de 2004 serão executados.
Para a oposição, as metas do governo são contraditórias com a política macroeconômica. ''Se o governo gastou menos de R$ 2 bilhões em investimentos em 2003 e anuncia que vai gastar R$ 8 bilhões em 2004, mantendo o aperto fiscal, dá para desconfiar de objetivos eleitoreiros'', diz o líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN).
Máquina O presidente nacional do PT, José Genoino, nega motivações eleitorais: ''A presença do governo Lula nos Estados nada tem a ver com a campanha. Vamos ganhar as eleições sem uso da máquina e sem criar para o presidente o constrangimento dos palanques.''
Vários ministérios já prepararam seu cronograma de inaugurações para o primeiro trimestre, disputando a presença de Lula. O Ministério da Integração Nacional inaugura em janeiro o sistema de abastecimento hídrico do município mineiro de Águas Vermelhas e uma barragem em Dianópolis (TO); em fevereiro será a vez da adutora de Jucazinho, para abastecer 11 municípios em Pernambuco, e da primeira etapa do projeto de irrigação Tabuleiros Litorâneos, no Piauí.
O Ministério das Cidades planeja para o mesmo período uma série de inaugurações do programa de revitalização de favelas, o Habitar Brasil, além da linha sul do metrô de Recife. Até o final de 2004, o ministro Olívio Dutra também tentará distribuir 50 mil títulos de posse para famílias que moram em áreas urbanas da União.
Emprego O carro-chefe do plano são os investimentos em saneamento e habitação, que poderão canalizar R$ 12,1 bilhões do FGTS, da Caixa e do Orçamento da União, beneficiando 5,7 milhões de famílias. Ao mesmo tempo poderão gerar 1,5 milhão de empregos.
O governo também já escolheu algumas obras com potencial eleitoral na área de infra-estrutura. A principal delas será a conclusão da duplicação da Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte, ainda no primeiro semestre. No Sul do País, uma das eleitas é o início da duplicação da BR-101, entre Florianópolis (SC) e Osório (RS).

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