Lula acusa senadores de manobra eleitoreira
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quinta-feira, 11 de agosto de 2005
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com indignação à decisão do Senado Federal de colocar o salário mínimo no patamar de R$ 384,00. Segundo sindicalistas que participaram da reunião de instalação da Comissão Quadripartite encarregada de estudar uma política permanente para o piso salarial do País, Lula teria acusado os senadores de manobra eleitoreira. ''O que eles querem é apenas o veto. É me colocar em xeque-mate. Parece uma vingança'', teria desabafado o presidente.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou com outras palavras as declarações do presidente da República. De acordo com Marinho o presidente Lula foi cauteloso e teria dito que não podia aceitar o mínimo de R$ 384,00 porque seria uma irresponsabilidade fiscal. ''Não existe espaço no orçamento'', frisou o ministro. Segundo Marinho o presidente atribuiu a decisão do Senado ao momento político e à proximidade das eleições do próximo ano.
O ministro disse que a estratégia do governo para manter o salário mínimo em R$ 300,00 vai ser negociar com a Câmara dos Deputados. ''Me parece coerente a Câmara restabelecer os R$ 300,00, pois esse foi o resultado da votação em primeiro turno'', disse. Marinho argumentou que o governo não pode dar o aumento decidido pelo Senado simplesmente porque não existe dinheiro para isso. ''Não há possibilidade de tirar da saúde, da educação'', constatou.
''Foi uma medida eminentemente política para constranger o presidente'', denunciou. Na coletiva que concedeu após a instalação da Comissão Quadripartite, Marinho estava acompanhado de representantes dos municípios, que confirmaram a impossibilidade do setor público arcar com o pagamento do salário mínimo de R$ 384,00.
''O impacto é pesadíssimo para os municípios, principalmente os mais pobres do Norte e Nordeste. Em muitos deles, mais de 60% do orçamento já é gasto com o pagamento de pessoal, com o mínimo no patamar de R$ 300,00'', afirmou o secretário-executivo da Frente Nacional de Prefeitos, João Luiz dos Santos.


