Lula acusa FHC de promover desemprego
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Wilson Tosta Agência Estado 
O candidato da frente das esquerdas à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso de ser o presidente do desemprego e de só gerar empregos no exterior. Em visita à Fábrica de Esperança, projeto social em Acari, e o Ciep Nação Mangueirense, na Mangueira, no Rio de Janeiro, o petista disse que o presidente, a três meses das eleições, resolveu criar os milhões de empregos que não gerou em três anos e meio de governo.
O único feliz com a política de geração de emprego do presidente é o Bill Clinton (presidente dos EUA), que agradece a Deus todo dia por ele existir e gerar tantos empregos nos Estados Unidos, ironizou. Lula afirmou ainda que emprestar dinheiro a grandes empresas para comprar estatais, a bancos ou a grandes fazendeiros (como faz o governo, segundo ele) não gera empregos, e defendeu estímulos à agricultura e a pequenas e médias empresas.
O candidato do PT afirma não estar preocupado com a pesquisa Ibope, divulgada quarta-feira, em que apareceu com 28% das intenções de voto, contra 36% para Fernando Henrique. Só tem um candidato até agora, o presidente Fernando Henrique Cardoso, disse ele, afirmando que sua campanha só começará após 6 de julho.
O desemprego também foi tema da palestra feita por Lula a cerca de 300 pessoas, a maioria adolescentes, na Fábrica de Esperança, seu primeiro compromisso do dia no Rio. O petista lembrou que em 1963, com um diploma de torneiro mecânico, não tinha dificuldades para arrumar vagas no mercado de trabalho, mas hoje até pessoas com formação universitária estão desempregadas e sem perspectiva de colocação no mercado de trabalho. Tenho um filho formado em biologia que não arruma emprego, afirmou. Mostrando como exemplo o companheiro negro e nordestino que o acompanhava - o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vicente Paulo da Silva - Lula exortou os presentes a não desistirem, apesar das dificuldades.
Vocês nunca podem aceitar a idéia de que são menos que alguém, afirmou Lula, que recebeu o abraço de Leonardo Pereira dos Santos, de 11 anos. Nunca abaixem a cabeça. O candidato a vice-presidente pela coligação, Leonel Brizola, disse que o pronunciamento de Lula fora uma oração. Depois, os dois gravaram o programa Debate Especial, da Vinde TV (uma emissora a cabo pertencente à Vinde, organização proprietária da Fábrica de Esperança), em que Lula voltou a atacar o presidente, em tom nacionalista. Brizola e eu não somos contra a globalização, assegurou. Mas vamos fazer abertura de fronteiras de acordo com os interesses nacionais, como Estados Unidos e Japão, que, por isso, mandam no mundo, disse.
Para Lula, o governo brasileiro pode importar cacau da África por ser mais barato, mas tem que lembrar que no Sul da Bahia tem 400 mil pessoas que dependem do cacau, e pensar alternativas. O petista considerou falta de vergonha o Brasil gastar, segundo disse, US$ 2,5 bilhões anuais para importar alimentos.
Respondendo a uma pergunta do consultor de empresas Paulo Sérgio Rosa - que quis saber se Lula abriria o setor petrolífero do País a empresas que viessem vender gasolina ao preço dos EUA, metade do brasileiro - o candidato disse que preferia investir na Petrobras para que pudesse fazer o mesmo. O petista também afirmou que 30% do empresariado brasileiro sonega contribuições previdenciárias, o que seria uma das causas do déficit no setor.
Encerrada a gravação, Lula, o candidato a governador pela aliança, Anthony Garotinho, e o pastor presbiteriano Caio Fábio DAraújo Filho, principal dirigente da Vinde, se reuniram reservadamente para uma oração.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ConselhoLula (com Brizola) na visita às crianças do Projeto Fábrica da Esperança, no Rio: Nunca abaixem a cabeçaCandidato das oposições afirma que Fernando Henrique só cria empregos no exterior ao emprestar dinheiro a poderosos


