O candidato da frente das esquerdas à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusou ontem o presidente Fernando Henrique Cardoso de ser o ‘‘presidente do desemprego’’ e de só gerar empregos no exterior. Em visita à Fábrica de Esperança, projeto social em Acari, e o Ciep Nação Mangueirense, na Mangueira, no Rio de Janeiro, o petista disse que o presidente, a ‘‘três meses das eleições, resolveu criar os milhões de empregos que não gerou em três anos e meio de governo’’.
‘‘O único feliz com a política de geração de emprego do presidente é o Bill Clinton (presidente dos EUA), que agradece a Deus todo dia por ele existir e gerar tantos empregos nos Estados Unidos’’, ironizou. Lula afirmou ainda que ‘‘emprestar dinheiro a grandes empresas para comprar estatais, a bancos ou a grandes fazendeiros’’ (como faz o governo, segundo ele) não gera empregos, e defendeu estímulos à agricultura e a pequenas e médias empresas.
O candidato do PT afirma não estar preocupado com a pesquisa Ibope, divulgada quarta-feira, em que apareceu com 28% das intenções de voto, contra 36% para Fernando Henrique. ‘‘Só tem um candidato até agora, o presidente Fernando Henrique Cardoso’’, disse ele, afirmando que sua campanha só começará após 6 de julho.
O desemprego também foi tema da palestra feita por Lula a cerca de 300 pessoas, a maioria adolescentes, na Fábrica de Esperança, seu primeiro compromisso do dia no Rio. O petista lembrou que em 1963, ‘‘com um diploma de torneiro mecânico’’, não tinha dificuldades para arrumar vagas no mercado de trabalho, mas hoje até pessoas com formação universitária estão desempregadas e sem perspectiva de colocação no mercado de trabalho. ‘‘Tenho um filho formado em biologia que não arruma emprego’’, afirmou. Mostrando como exemplo o ‘‘companheiro negro e nordestino’’ que o acompanhava - o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vicente Paulo da Silva - Lula exortou os presentes a não desistirem, apesar das dificuldades.
‘‘Vocês nunca podem aceitar a idéia de que são menos que alguém’’, afirmou Lula, que recebeu o abraço de Leonardo Pereira dos Santos, de 11 anos. ‘‘Nunca abaixem a cabeça.’’ O candidato a vice-presidente pela coligação, Leonel Brizola, disse que o pronunciamento de Lula fora ‘‘uma oração’’. Depois, os dois gravaram o programa ‘‘Debate Especial’’, da Vinde TV (uma emissora a cabo pertencente à Vinde, organização proprietária da Fábrica de Esperança), em que Lula voltou a atacar o presidente, em tom nacionalista. ‘‘Brizola e eu não somos contra a globalização’’, assegurou. ‘‘Mas vamos fazer abertura de fronteiras de acordo com os interesses nacionais, como Estados Unidos e Japão, que, por isso, mandam no mundo’’, disse.
Para Lula, ‘‘o governo brasileiro pode importar cacau da África por ser mais barato, mas tem que lembrar que no Sul da Bahia tem 400 mil pessoas que dependem do cacau, e pensar alternativas’’. O petista considerou ‘‘falta de vergonha’’ o Brasil gastar, segundo disse, US$ 2,5 bilhões anuais para importar alimentos.
Respondendo a uma pergunta do consultor de empresas Paulo Sérgio Rosa - que quis saber se Lula abriria o setor petrolífero do País a empresas que viessem vender gasolina ao preço dos EUA, metade do brasileiro - o candidato disse que preferia investir na Petrobras para que pudesse fazer o mesmo. O petista também afirmou que 30% do empresariado brasileiro sonega contribuições previdenciárias, o que seria uma das causas do déficit no setor.
Encerrada a gravação, Lula, o candidato a governador pela aliança, Anthony Garotinho, e o pastor presbiteriano Caio Fábio D’Araújo Filho, principal dirigente da Vinde, se reuniram reservadamente para uma oração.Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ConselhoLula (com Brizola) na visita às crianças do Projeto Fábrica da Esperança, no Rio: ‘‘Nunca abaixem a cabeça’’Candidato das oposições afirma que Fernando Henrique só cria empregos no exterior ao emprestar dinheiro a poderosos

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