O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, durante manifestação ontem em Brasília, acusou o presidente Fernando Henrique Cardoso de ‘‘possivelmente estar comprando deputados para que eles não assinem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Corrupção’’. ‘‘O dinheiro fará falta para dar reajuste dos salários’’, ironizou. Antes, em entrevista, Lula disse que Fernando Henrique ‘‘está colocando mais obstáculos à CPI do que o (ex-presidente Fernando) Collor’’. Tentando amenizar o discurso, Lula ressalvou que ‘‘não estava fazendo nenhuma acusação’’. ‘‘Ninguém está culpando ninguém antecipadamente. Nós só queremos a apuração dos fatos’’, declarou ele, depois de dizer que certamente a CPI chegará ao presidente da República.
A resposta aos ataques de Lula foi dada pelo líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). ‘‘Acho essa declaração de uma irresponsabilidade tamanha, uma acusação ridícula’’, reclamou Madeira, acentuando que ‘‘o líder do maior partido de oposição precisa ter mais seriedade na política’’. Madeira disse ainda que esperava de Lula ‘‘muito mais dignidade e um embate político com mais ética’’.
Na sua opinião, só quem não concorda com a CPI é o presidente ‘‘e a quadrilha’’. ‘‘Ele tem medo da CPI porque conhece a história do Collor e dos anões do orçamento já que certamente a CPI chegará ao presidente da República’’, disse em inflamado discurso.
‘‘Fernando Henrique está com muito medo. Ele dizia quem não deve não teme e por que agora não quer a CPI?’’, questionou.
Mais cedo, em entrevista no Congresso, ao lado do governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e de diversos integrantes do bloco da oposição, Lula criticou ainda a criação da Corregedoria Geral da União. ‘‘Isso não significa nada porque ela é subordinada ao próprio presidente’’, disse.
Acusou também Fernando Henrique de ter acabado com uma comissão permanente de investigação criada pelo ex-presidente Itamar Franco, sob a alegação de que ela não tinha nenhuma validade. ‘‘E agora cria um instrumento semelhante?’’, questionou. ‘‘Não é possível que se crie um poder subordinado ao Executivo para investigar ele mesmo. E o Ministério Público?’’ Segundo ele, a CPI hoje é o único meio de se investigar.

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