Lula acusa chantagem no caso IOF
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
Leandro Donatti 
O candidato da frente das oposições PT-PDT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em Curitiba que a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) das pessoas físicas de 15% para 6% ao ano, anunciada na última quinta-feira, é prova de que o governo federal está fazendo chantagem para conseguir votos dos brasileiros no ano eleitoral. O presidente está tomando medidas que deveria ter tomado há pelo menos dois anos e meio atrás, declarou Lula.
Apesar das críticas, Lula concordou com a iniciativa de reduzir o imposto. Acho que tudo o que visa a redução de tributos é bem vindo, ressaltou. O candidato do PT questionou a forma como o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) vem conduzindo a questão, para garantir a reeleição. Mais uma vez este governo está usando da peça de propaganda para se valorizar. Mas o povo não vai acreditar, tem medidas que nem podem ser colocadas em prática antes das eleições, considerou Lula.
Para rebater os aliados do presidente que o acusam de não ter propostas alternativas para uma política econômica, Lula fez um discurso, antes de embarcar para Londrina, aonde passou a tarde em campanha com o vice, ex-governador Leonel Brizola (PDT) e com o candidato da coligação PMDB-PT-PDT ao governo do Paraná, senador Roberto Requião (PMDB). Vamos divulgar nosso programa na hora certa. Não queremos que eles nos copiem. Vão ter de inventar outras formas para criar suas lorotas, atirou.
O candidato das esquerdas afirmou que, se eleito, vai promover uma inversão dos investimentos públicos. O dinheiro será canalizado nos micro e pequenos empresários e trabalhadores agrícolas, prometeu. Lula não quis avançar mais em declarações sobre a última pesquisa do Ibope, que apontou crescimento eleitoral do presidente, como fez em Florianópolis anteontem. Não estou preocupado com pesquisas. O presidente gasta milhões e milhões para enganar quem ele quiser, assinalou.
O candidato do PT-PDT disse ainda que não acredita que uma vitória da seleção brasileira na Copa trará vantagens político-eleitorais para o presidente Fernando Henrique. Houve tempos em que a esquerda dizia que o futebol era o ópio do povo. Eu quero ver o jogo e participar da alegria do povo brasileiro.


