São Paulo Em sua primeira declaração após a confirmação do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acenou ontem com a possibilidade de discutir participação em seu eventual governo com os ex-candidatos que o apoiarem. Ao referir-se aos contatos com os candidatos derrotados Anthony Garotinho (PSB) e Ciro Gomes (PPS), Lula afirmou que a composição do governo estará ''na mesa''. ''Nas conversas é que vamos saber o que vai ser acertado. Se os companheiros [de PSB e PPS] querem discutir coisas programáticas, se querem discutir governo. Tudo isso vai estar na mesa de conversa'', declarou.
Questionado em seguida se estava se referindo à negociação de cargos, o presidenciável petista ensaiou um recuo: ''Cargo não se discute. Só se discute política [de governo].''
O PT não perdeu tempo para arrebanhar apoios. Na noite de anteontem, quando ficou claro que haveria segundo turno com José Serra (PSDB), Lula teve uma conversa telefônica com Ciro. O candidato do PPS pode anunciar hoje o apoio ao petista. ''Acho que com o PPS vamos poder nos acertar, porque fez campanha de oposição'', disse Lula. Também já houve contatos do presidente do PT, José Dirceu, com Leonel Brizola (PDT), Miguel Arraes (PSB) e com os ex-presidentes José Sarney e Itamar Franco. Garotinho também está sendo procurado.
Não está descartado ainda um contato com setores do PFL pró-Lula, inclusive para atos públicos de apoio, como os senadores eleitos Roseana Sarney (MA) e Antônio Carlos Magalhães (BA).
A linha-mestra da campanha, de acordo com o candidato, será canalizar para o PT todos os votos obtidos pela oposição. ''Vamos tentar convencer todos os eleitores que votaram contra o modelo econômico. Será mais fácil trazendo para o nosso lado as pessoas que disputaram a eleição com a gente'', declarou.
Segundo o PT, em nenhum dos contatos tratou-se explicitamente de cargos, mas Lula já disse internamente no partido que quer a participação em seu ministério de partidos que o apoiarem no segundo turno.
Na entrevista, Lula finalmente confirmou o que era comentado havia semanas nos bastidores da campanha, mas negado publicamente pelo partido. ''Cheguei a acreditar que podia ganhar no primeiro turno e trabalhei para isso. Não deu, paciência!''
Com certa ironia, ele afirmou que os analistas econômicos talvez preferissem que a eleição acabasse logo, em uma referência à turbulência econômica das últimas semanas, influenciada pela indenfinição do cenário político. ''Mas me parece que o povo não teve essa preocupação exagerada que o mercado tem'', afirmou.

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