À espera do companheiro Ulysses, Penélope costura e descostura, faz e refaz. O governo paranaense entrou nessa liturgia ao anular contratos polêmicos na área da informática, da Junta Comercial (o recadastramento é uma picaretagem com a qual os empresários, cautelosos demais, por sua aproximação com o governo, concordaram), da propaganda (aí não há escândalo, mas a anormalidade de sempre de uma tutela nojenta, já histórica) e agora, num lance mais ousado, pretende derrubar a disposição contratual, decorrente do leilão do Banestado, que subordina as contas públicas ao Banco Itaú.
Há um tipo de empresa que não reage, evita procurar a Justiça, porque foge de bronca ou é consciente da origem suspeita dos seus negócios. Tal pode ocorrer em muitos desses casos, inclusive porque os beneficiários já encheram as burras de tanta concessão; porém, há aqueles, que por respeito a acionistas, se verão impelidos a buscar reparação judicial.
Não se poderia esperar outra atitude de Roberto Requião, embora por vezes chegue a surpreender como fez ao reconhecer a necessidade de manter como está o NovoMuseu. Já havia gente convocando visitantes ao local com a advertência: ''Vá até lá antes que acabe''. Anteontem a primeira-dama, Maristela, esteve no Parque da Ciência e diante do ocorrido no NovoMuseu houve quem interpretasse o gesto como um ato de boa vontade e não apenas um exercício de curiosidade.
Muitas dessas ações, como a da revogação dos contratos de propaganda, até são compreensíveis pela postura engajada das organizações que encontram aí, como se dava historicamente com os veículos, sua fonte principal de renda. Todavia questões complexas como a do contrato de privatização do Banestado ou a do pedágio não são de tirar de letra. Da mesma forma o caso das 29 parcerias da Copel, nós difíceis de desatar.
Se o governador ficar, porém, desatando nós e com o extremo cuidado de não criar outros vai enfrentar falta de tempo para o desfazer-refazer.
BIZARRICE Haja falta de ética nesses anúncios que destacam feitos dos cursos nos vestibas. Expressam, aliás, a sociedade que endeusa o mercado mesmo num produto nobre como a educação.
AXIOMA Sanepar vai lançar logo o Alga Zero, o que não impedirá que o produto continui com gosto, cheiro e cor.
GLOSA O Paraná perdeu suas instituições financeiras: Bamerindus, Banestado, Badep e, mais recentemente, o Banco Araucária. A palavra parece aziaga: bancos que levam o seu nome como a MegaCred faliram.
EPIGRAMA Deficientes fizeram protesto diante do NovoMuseu por não ter adotado medidas que facilitassem o seu acesso: muita escada e falta de elevadores. Apesar de adotarem o ''olho'' como símbolo faltou-lhes visão.
VINHETA Quando o PT era oposição, sindicatos de servidores públicos falavam em reposição de até 80%. Pois Lula vai conceder 2,5%. Quem tem CUT tem medo?
FOLCLORE Lerner tem aposentadoria de professor universitário, de servidor da prefeitura (arquiteto do IPPUC) e agora de governador. Requião não tem, até o momento, nenhuma (até porque denunciou a de Richa para eleger-se), embora, pela primeira vez na história do Paraná, acumule governo e Segurança, esta sem remuneração é claro. Se houvesse pegava mal.
CROMO Agulhas luminiscentes cintilam no aquário, iluminuras no silêncio.
AFORÍSTICO O governo Lula está cada vez mais parecido com o de FHC. Nada mais conservador, dizia o inglês, do que um liberal no governo.
SCAPS Esperava-se um novo momento ético no país e deu para ver com o aumento direto e indireto dos parlamentares. Precisamos de um Vergonha Zero.
OPS PSDB elegeu cinco deputados federais. Três já mudaram de partido. Essa reforma (a política) é tão urgente quanto a Fiscal e Previdenciária.

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