LUIZ GERALDO MAZZA
Colapso programado
É perfeitamente previsível, dependendo das características da reforma previdenciária, um colapso nos serviços públicos. Mesmo desidratada, meia boca, deflagrará um processo de aposentadorias como se está prevendo. Por sinal que o governo paranaense, em que se pede sua melhor situação fiscal, tem se valido de subterfúgios burocráticos para ganhar tempo nas concessões, dificultando-as, primeiramente por um recurso que praticamente o interessado fica num patamar menor de ganhos e mais recentemente com dispositivo legal que fixava o prazo de dois meses.
Só na área policial, admite-se uma evasão de 690 servidores, dentre eles 97 delegados. Apenas no prédio da secretaria estima-se a saída de 18 delegados. O problema certamente virá com essa reposição diante das dificuldades ainda pendentes para os concursos, nomeações e pagamentos e isso se repetirá em outras categorias. Saída de quase 700 servidores só na área policial, que detém um quadro de 4.200 e mantida tal proporção em outras pastas dá para imaginar as dimensões do problema.
Claro que nacionalmente isso será uma avalanche, agravada em casos como os do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, praticamente quebrados e sem vislumbrar saídas. Embora afirme não ter abandonado a toalha, o governo federal fixou a data de 28 deste mês como limite para votação da matéria e se captar que não passa mudará sua agenda a desafios de menor monta.
Pressão
Submetidas ao maior desgaste histórico de sua existência com o auxílio-moradia (e a forma como o tema é sistematicamente explorado pela mídia), as associações de magistrados, tanto as federais como as estaduais, pressionam o STF para que a questão, já sugerida a exame pela ministra Carmen Lúcia, fique fora de pauta. A Ajufe, Associação dos Juízes Federais, alega ser indispensável fazer réplica à manifestação da Procuradoria Geral da República no processo. Os chamados "penduricalhos" (e não são apenas juízes e procuradores seus beneficiários), no caso do Judiciário, entre 2014 e 2015 teriam subido de R$ 5,5 bilhões para R$ 7,2 bilhões.
Realismo
De realismo em realismo se chega à realeza: Geraldo Alckmin, tomado por um impulso de puro pragmatismo, decidiu sair do muro e apoiar abertamente a reforma da previdência e acabou defendendo, por extensão, a privatização da Petrobras. No meio das especulações lá se vão todos os princípios e doutrinas.
O PSDB entorta: de moderadamente centro-esquerdista, como melhor se ajusta a partidos de traço socialdemocrata, investe cada vez mais para a centro-direita e se assim continuar ainda vai cotejar com o Bolsonaro. A tonalidade de esquerda (que sempre foi a marca de Covas, FHC e Serra) vai perdendo seu espaço no espectro ideológico.
Estabilidade
Não é bem a estabilidade vivida nas primeiras décadas do Plano Real, com senso agudo de segurança, mas os sinais de recuperação progressiva e de inflação razoavelmente contida da economia permitem relativo otimismo. Com a taxa de juros com piso de 6,75%, o BC, Banco Central, está claramente sinalizando o esgotamento do ciclo de queda como se se pudesse declamar o "agora vai" com o mercado dando tanta resposta positiva.
Tesouro
A Secretaria do Tesouro Nacional está sendo invocada pelo Tribunal de Contas (a pretensão é de um dos seus procuradores) para manifestar-se necessariamente em pleitos de empréstimos a bancos públicos para os Estados. Dá para lembrar da dureza adotada contra pedidos de empréstimos internacionais do Paraná e que não eram concedidos por causa da burla sistêmica à Lei de Responsabilidade Fiscal, o que se comprovou com o ajuste fiscal que tentou corrigir o estrago. O governo estadual, à época, usou isso como marketing eleitoral como se fosse um caso de perseguição.
Praça aberta
A praça Osvaldo Cruz ficou praticamente interditada de 2005 a 2016, quando deveria ter sido reaberta, e persistiu assim ate hoje. Agora o prefeito Rafael Greca anuncia para março a retomada de programação do grande núcleo recreativo esportivo.
Requionadas
Já na condição, outra vez, de candidato a candidato a governador, "porque o Paraná está sem governo", o senador Roberto Requião voltou a surfar nas entrevistas. Chegou até a dar 25 anos de prisão a Beto Richa pelos eventos em que teria se envolvido e contou que assistiu a uma luta de boxe nos Esteites com Donald Trump. E se disse decepcionado com Osmar Dias porque depois de falar com ele esteve com Valdir Rossoni e o pessoal do outro lado, o que significa que não concordou com sua proposta de unidade.
Folclore
Emílio de Menezes, além de exímio trocadilhista, fazia quadrinhas publicitárias como essas encomendadas pela cerveja Brahma: "A José Bonifácio se insulava// Nessa ilha pitoresca, Paquetá!// Lugar que a água de coco dominava// e a Brahma-Porter dominando está.//"





