Cida ungida?
De todos os candidatos que poderiam ser apoiados pelo governo ninguém produziu nestes dias mais fatos políticos do que a vice Cida Borghetti e num momento de proselitismo intenso do ministro de Saúde, Ricardo Barros, a atender demandas locais na sua área em ampla distribuição de recursos. É óbvio que isso facilita as ações da candidata com tal colchão de comodidades.

Ontem mesmo, valendo-se do bom momento, dava entrevistas no seu estilo contido como é o das suas ações pessoais. Como o governador não sabe se sai ou se fica, também postou-se, de tal maneira, que parecia convalidar até porque não pegaria bem a ingratidão diante dos gestos largos do ministro e assim também se deu em Cascavel na visita ao Show Rural com a turma.

Como não é metida a profunda, fala coloquialmente, todavia de forma clara, sobre as questões de Estado, os problemas paranaenses e as suas soluções. Evidentemente vai ter que contar com estafes específicos para doutrina e ação política e a questão acoplada do marketing. Como estão sendo feitas referências às perspectivas eleitorais, já em pesquisas, tanto do filho Marcelo para deputado estadual e do irmão mais velho, Pepe, para federal, supõe-se que Beto fica para a disputa senatorial e monta esses esquemas familiares de Richa & Barros. Ratinho, em Cascavel, avisa que se mantém candidato.

Obsessão
Há um vandalismo específico, determinado, contra a educação: isso se capta nos ataques quase diários contra escolas e creches que não se limita à agressão e se completa com o roubo de equipamentos como computadores. Pois agora o abuso foi longe demais porque feito em local praticamente central e não em periferias como o mais das vezes acontece e na própria sede da secretaria de Educação. O impacto foi de tal ordem que a Secretaria de Segurança colocou órgãos especializados para apurar as autorias e estabelecer medidas de prevenção.

O detonador
O receio de magoar o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não é apenas em função dos votos pela reforma da previdência, no caso da filha que não consegue assumir o ministério, e agora ainda tem a denúncia de associação ao tráfico. Quanto à postulação ministerial, diz ter entregue o caso a Deus, mas se houver qualquer sinal de ressentimento há na atmosfera a lembrança do seu papel como detonador do mensalão, o que, para os mais sensíveis, seria a pá de cal na gestãoTemer se houvesse aquele pique que deu cartão vermelho para Zé Dirceu, a figura mais relevante do governo Lula e abriu o ciclo que geraria a Lava-Jato com todas as suas consequências.

Se não emplacar, como tudo indica, a nomeação de Cristiane Brasil, aventa-se a hipótese de haver o aproveitamento do deputado federal paranaense Alex Canziani.

Latrocínios
Londrina está e com razão espantada com a sequência de latrocínios, um a cada dez dias neste ano, quando a média desse tipo de crime é de oito por ano. Cada vez que há um deles não apenas repórteres como também advogados chamam os autores de latrocida, quando esse termo significa matar o ladrão, latrocida, como homicida é matar o homem, fratricida o irmão, marricida o marido, uxoricida a esposa. Por incrível que pareça a palavra deformada já foi até dicionarizada. O abandono do étimo latino na conversação popular foi a causa.

Manifesto
Não é o Manifesto de Marx-Engels, mas tem muito mais de mil assinaturas: um documento firmado por mil presidiários da Penitenciária Central entregue à advogada Isabel Mendes, militante do Conselho da Comunidade que o enviou à ministra Carmen Lúcia, presidente do STF, que recentemente aqui esteve em visita de inspeção. Relata maus tratos e casos até de tortura física e psicológica. Há ainda em cima do tema a denúncia da Adepol à Organização dos Estados Americanos, OEA, com fotos e vídeos, relatando o drama das distritais superlotadas e pleiteando a condenação do Paraná por agressão aos direitos humanos.

Advogado sequestrador
Em Campo Largo, algo insólito: um advogado apossou-se de R$ 34 mil de um cliente e ainda tentou forçar um sequestro para que a vítima assinasse um documento em que teria pago a importância por serviços prestados. Arrestaram o sequestrador na cadeia.

BNDES
Mesmo depois da delação da Odebrecht especulava-se que maior do que o rombo da Petrobras seria a hora em que botassem a mão no BNDES. Nada avançou, mas o exame das operações financeiras que afundaram o Postalis, fundo de pensão dos Correios, indicou o possível comprometimento de Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES, cuja empresa, a SR Rating, avalizou em pareceres a Mudar Mastyer II Participações que teria feito o fundo de pensão perder mais de R$ 100 milhões em cédulas de crédito imobiliário. Suspeita-se que as obras não teriam saído do papel e apenas criadas para facilitar desvios de recursos. Claro que os denunciados negam.

Folclore
Sepúlveda Pertence, ex-ministro do STF, reforça a banca de advocacia de Lula e como nítido propósito de menor agressividade. Já apareceu um trocadilho – o de que Lula não tem pertences seus no tríplex e o sítio, e o único Pertence é mesmo o advogado. No final do processo de impeachment de Requião, que foi abafado por perda de objeto, o ministro interveio na parada e o jornalista Cicero Catani sacou a manchete do "Correio de Notícia" no explosivo "Futuro de Requião a Sepúlveda pertence".

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