Rebeldes sem causa
A forma selvagem como se manifesta a APP-Sindicato – e isso se deu anteontem de novo, impedindo uma sessão legislativa – revela que o governo não está disposto a valer-se dos instrumentos da lei ante o enfrentamento. Tenta o espírito olímpico do "fair play", quando em ocasiões anteriores a tolerância levou a um ato de invasão, na linguagem companheira uma ocupação, que depois teve de ser reprimida.

Há na consciência do governo que se continuar passivo, com receio naturalmente da reprise do massacre de abril, aquela operação de guerra, feita pela dupla Richa-Franceschini, as provocações em função do ano eleitoral se intensificarão em cima do caso do pessoal provisório e dos seus ganhos rebaixados (a APP não importa que os concursados aceitem o estipêndio, olhados afinal traidores da causa comum) com possível eclosão de greve que no Judiciário será obviamente derrubada e assim por diante.

Se houver greve, indispensável que o governo faça o que nunca fez e nutriu essa arrogância e soberba dos sindicalistas: descontar os dias parados claramente para mostrar disposição no confronto para não torná-lo desigual. Outra questão importante é saber o que a comunidade escolar (o estudante, a família) pensa inclusive com a aflição que atinge a turma do terceirão por causa do vestibular. A rebeldia tem causa, meramente política, embora suas lideranças não transformem essa energia em votos.
O exemplo com as universidades estaduais é bom: não conseguiu o acerto da Meta 4 (embora a maioria o acatasse), no front admistrativo partiu para o judicial, ainda que mantendo espaço para o diálogo. A alegação de autonomia ferida é maliciosa: a gestão desastrosa das unidades é manifesta nos casos pontuais já revelados de ganhos exacerbados muito próximos, em alguns casos, daqueles mordômicos da magistratura. Ademais, em tempo dos celebrados portais de transparência, a caixa preta é inadmissível.

Insubstituíveis
Volta e meia se discute, em vários campos do conhecimento, inclusive o jornalístico, a questão dos insubstituíveis. Verdade que isso é condicionado no tempo: quando escrevi na "Folha de S.Paulo" na terceira página, dentre os que a compunham eu era substituível, mas Claudio Abramo, que a abria, e Newton Rodrigues, que vinha em seguida, claramente não.

Faço essa observação para comentar a saída de Celso Nascimento da "Gazeta do Povo", um caso genuíno de insubstituível pelo que representa, ao logo do tempo, do que há de mais afirmativo no jornal. Claro que há outros bons que lá permanecem, mas Philipe Coutinho não substitui inteiramente o Neymar.

Desvios na estrada
Pergunta-se: em que lugar não há corrupção hoje? É que ontem o Gaeco, graças que o temos, tocou 12 mandados de prisão contra guardas rodoviários estaduais, dos quais dez foram presos, acusados de receber propinas para liberar mercadorias contrabandeadas e outros desvios equivalentes. Há mais desvios nas estradas do que possamos imaginar, isso sem falar em roubo de cargas, que ontem teve um caso épico e trágico no ataque ao comboio de carro forte na BR-376. Os guardas rodoviários operavam no oeste em área do fluxo do contrabando .

200 presos ao dia
Eis uma conta que não fecha: como suavizar as cadeias superlotadas se a cada dia há, pelo menos, duzentos presos no Paraná? Tanto o novo secretário de Segurança, Júlio Reis, como o governador Beto Richa (no Show Rural de Cascavel) fizeram referência e essa estatística assombrosa. Dá para fazer outra especulação numérica: quantas as fugas de presos como se deu ontem na praia de Ipanema, de nove fujões quatro foram recapturados.

A confissão de uma derrota antecipada não significa que não se esteja fazendo nada, mas o fato é que a dezena de presídios prometida não foi cumprida porque a gestão fiscal não é aquela que os marqueteiros propagam por aí, tanto que não há recursos para as obras e sequer para repor delegados de polícia que se aposentaram.

Coma pressão do Judiciário, interditando cadeias como já está acontecendo e dando prazo razoável para a gradual desocupação, o governo se obriga a agir e fará muito mais se a OEA, acatando pleito do sindicato dos delegados, declarar o Paraná como infrator dos direitos humanos em suas masmorras.

Temor
Muitos lutam para tirar processos de Sergio Moro e ainda agora o ministro Edson Fachin admitiu que o enquadramento dos ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha nada tem a ver com a Lava Jato, da qual é relator, e por isso o expediente será redistribuído. Às vezes o temor é com o delator premiado, como o casal marqueteiro João Santana-Monica de Lula-Dilma no processo do sítio de Atibaia e no da senadora Gleisi Hoffmann.

Folclore
De Brasília pode se esperar tudo menos a queda de ministros, mesmo no caso da ministra que dá trabalho, segundo um humorista de São Paulo, a já celebre Cristiane Brasil. Mas viaduto cai com facilidade e em menos de uma semana dois desabaram.

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