O ônus da democracia
Na abertura legislativa municipal e estadual de ontem Rafael Greca se saiu melhor do que seu padrinho Beto Richa. Embora sendo vaiado no meio da semana no Guairão, junto com a sua Margarita, encarou a reabertura da Câmara Municipal com o otimismo de sempre, ainda que cercado por um magote de barnabés inconformados com o congelamento salarial e a alta do IPTU. Já o governador preferiu atribuir ao seu Chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, a missão de representá-lo, obviamente para não ter que enfrentar a massa irada, que lá estava em seu posto permanente, a galeria.

Os municipais foram menos agressivos que os professores na Assembleia e brindaram o prefeito com marchinha punk em que falam na alta do IPTU, mais humor do que o ácido da APP Sindicato, que vaiou tanto o secretário Valdir Rossoni que o presidente Traiano teve que dar a fala como consumada, encerrando a sessão. Exageros de lado a lado dos manifestantes, como do presidente da Assembleia consagrando a fala inacabada e que teve o seu despertar quando o representante do governo destacou os investimentos em educação e todos aí se lembraram dos desvios da Quadro Negro que envolvem o governo, o orador e o presidente da Assembleia em andamento no STF.

A vaia sofrida por Greca perto da enfrentada por Requião diante do seu líder Chaves e da de Lerner numa aristocrática "bocca chiusa" é inconfrontável.

Caiu
Pelo jeito, policial federal da hierarquia não se dá bem na Secretaria de Segurança. Já tivemos vários deles e todos como Wagner Mesquita com prestígio na corporação, mormente num campo carente no Brasil, o dos serviços de inteligência. Prejudicado num conflito corporativo, e de um estamento forte como a Polícia Militar e num momento em que recrudescia a luta dos delegados de carreira contra as distritais superlotadas, sofreu o constrangimento de mal voltar das férias ter sido afastado, o que, mais deselegante ainda, vinha sendo anunciado.

Vejam só a ironia: no dia em que caiu o secretário, e já estava ocupando o posto o delegado Júlio Reis, tivemos fuga de nove presos da delegacia de Piraquara e na de Pinhais se conseguia impedir, com a prisão de três quadrilheiros, o resgate de alguns detidos. Quer dizer: isso altera muito pouco um quadro dramático que é também de investimentos e não apenas de gestão, como falou Mauro Ricardo Costa em cima é claro de um fato pontual e chocante: aquela cena de um cadáver ficar à espera de uma viatura do Instituto Médico-Legal por 14 horas jogado na estrada e protegido da chuva por uma barraca de praia.

O Médico-Legal continua sem peritos (precisa de mais de cem e o governo anuncia menos da metade), as penitenciárias não saem dos projetos e a maior parte das delegacias está sem um detalhe, que é de investimentos, o de não poder nomear concursados por falta de recursos, que o ato de gestão apenas mascara.

Mais confusão
Agora quem está a criar dificuldades para o governo de Michel Temer é o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que ora é aliado, ora meio contestador: irritado com a fala do presidente de que disse já ter feito a sua parte na reforma previdenciária, estaria disposto a não agendar a matéria no atual exercício na hipótese de o oficialismo não conseguir os 308 votos dos 513 deputados federais. Como se vê em tempo de guerra intrapoderes estoura mais essa entre até aqueles que pareciam sintonizados desde a derrubada de Dilma Rousseff. É um esforço claro para transferir ao Planalto o fracasso do projeto, cuja análise está marcada para 20 deste mês. Como Maia tem se insinuado, da mesma forma, como Henrique Meirelles como postulante do sistema, tudo se explica e além disso estaria interessado em pautas mais populares nas áreas de segurança e de saúde.

Sangria detida
O senador Romero Jucá teve arquivado pelo ministro Marco Aurélio de Mello um processo de 14 anos originário do período de 1999 a 2001. Por prescrição dos delitos o Ministério Público já havia pleiteado o arquivamento. Isso não o livra do que há contra ele na Lava Jato e na qualidade de líder do governo e de presidente do MDB é a maior esperança da fauna numa reversão do que está ocorrendo e numa operação abafa do fluxo judicial, seguida de um conserto geral porque afinal todos são iguais – os políticos dependendo de propina e juízes, magistrados em geral, agarrados na vergonheira do auxílio-moradia. É pelo menos o tipo de compensação que a canalha tenta vender à população.

Cristiane pressiona
Cristiane Brasil insiste em ser ministra do Trabalho e diz em nota que é vítima de campanha de calúnias e injúrias e pede à ministra Carmem Lúcia que coloque o caso no colegiado do STF.

Folclore
A maior vaia sofrida por político paranaense foi a de Requião no Teatro Guaíra num momento em que militantes petistas defendiam a lei antinepotismo do deputado Tadeu Veneri e o senador voltou-se contra uma faixa, não esperando que a maioria esmagadora da plateia a apoiava. Tomou a vaia na frente do seu líder, o bolivariano Chaves. Outra foi menos ruidosa porque à "bocca chiusa" contra Lerner, e agora tivemos essa pegando Rafael Greca, todas elas no Guairão.

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