LUIZ GERALDO MAZZA
Londrina de novo!
Quando se viu atingida pelos episódios da gestão do outro Belinati, entre os quais o da AMA-Comurb, Londrina reagiu com firmeza em massa ao que tanto degradava a cidade com o movimento pés-vermelhos que, em suas consequências, chegou a determinar intervenção da Rede Globo no sistema de jornalismo regional que dava cobertura ao prefeito. OAB, igrejas, maçonaria, órgãos liberais adensavam as fileiras do movimento, no qual um dos líderes era dom Albano Cavalin.
Seguiram-se anomalias como as detectadas no mensalão e petrolão envolvendo figuras da cidade dentre as quais o doleiro Youssef, os deputados José Janene e André Vargas e, agora ,eis que irrompe a operação ZR3 do Gaeco no apuro de anomalias entre empresários, vereadores e agentes públicos em suposta troca de vantagens no zoneamento da cidade. E isso se dá num momento em que a sociedade reage ao impacto tarifário do IPTU acoplado à cobrança da taxa de lixo que, depois de muitos anos, atualizou o mapa de valores imobiliários, tal qual se deu em Curitiba e em outros centros urbanos do País.
Embora os temas tratados digam respeito à gestão de Alexandre Kireeff, a cidade acompanha, lance por lance, a investida do Gaeco, responsável por outro episódio, o da gangue fiscal, envolvendo grande parte da hierarquia de auditores, expressa na Operação Publicano. Tanto essa como outras intervenções do Gaeco, que discretas não podem ser, rumam quase sempre para um clima de espetacularização, o que obriga o comando local do poder reagir como se viu com a iniciativa do secretário do Governo, Marcelo Canhada, ao enunciar a criação do Conselho das Cidades previsto em projeto de lei.
Os mais rigorosos exemplos de firmeza e dureza judicial tem se desenrolado em Londrina, mas submetidos a correções na instância superior, o que reclama, até para evitar perda de energia, a recomendação da cautela para evitar transbordamentos que se dão inclusive no melhor dos exemplos, o representado pela Lava Jato.
O passaporte
A retenção do passaporte do ex-presidente Lula, que o impede de viajar a Etiópia, vista por muitos como exagerada e paranoica, ainda que fundada no processo de compra dos caças suecos, se é um gravame a mais, depois da ratificação da condenação pelo TRF-4, aumenta a aura de perseguido, o que é bom para o PT e sua causa mais relevante, a de salvar-se o que é confundido ideologicamente com a salvação do país que tanto depende do seu herói. E assim será nos próximos lances até chegarmos ao mais agudo de sua prisão, o que já é dada como previsível e tanto que setores do Judiciário cogitam de rever a jurisprudência do colegiado relativa à prisão depois de decisão de segunda instância.
Vivemos a estranha experiência de legislar para o momento e não para sempre, embora qualquer manual de ciência jurídica ensine que o direito deve ser a ponte entre o "ser" e o "vir a ser" que lhe conferiria vitalidade no tempo e no espaço. Na fermentação vivida, as leis e as normas sob permanente debate inconcluso se tornam permeáveis à emoção da política. O curioso é que a judicialização da política não neutraliza a politização do Judiciário.
Na rua
Em São Paulo, o reajuste das tarifas do transporte coletivo levou a conflitos com militantes do Movimento Passe Livre, inspirador da rebelião coletiva de 2013. Quando se esperava que tal se desse na condenação de Lula, dá para perceber que as coisas do mundo mais imediato deflagram com maior facilidade como se viu ontem em Curitiba com a cruzada, inclusive, com bloqueio da Linha Verde, em defesa da venda de gás em supermercados, proibida por lei do fim do ano passado, mobilizando a classe interessada nesse tipo de mediação. No Norte, professores e funcionários das universidades, por causa da briga pelo Meta 4, ameaçam greve se porventura isso implicar em atraso salarial. Como a UEL (mandou a folha, mas não se integrou ao Meta 4) e a UEM vão manter a resistência teremos um fevereiro quente com provável adesão solidária da APP-Sindicato.
Memória
A gestão municipal de Curitiba tem uma dívida séria com a comunidade japonesa com o memorial da etnia no bairro Uberaba, criado em 2008 e inaugurado precariamente em 2012 e, em seguida, abandonado. Agora, anunciam a sua revitalização com outro propósito: um memorial do Rio Iguaçu, aí também uma dívida impagável pelo curso d'água que abastece cidades como Curitiba e região metropolitana e outras e ainda nos dá a energia de seu colar de usinas hidrelétricas, agredido em toda sua extensão das nascentes à foz, onde está implantado um dos maiores polos turísticos do mundo, em que pese sua história como caminho civilizador entre Porto Amazonas e Porto Vitória precedendo o trilho e a rodovia. .
Volta e meia alguém fala em salvar o Iguaçu, mas passado o lance inicial o que se vê é a continuidade das agressões em sua flora e fauna. Está aí uma chance de retomar, com fôlego, o tema apaixonante.
Folclore
Troca ou não troca o secretário de Segurança? Fica no governo ou disputa o Senado? É muita perplexidade para uma só pessoa.





