LUIZ GERALDO MAZZA
Uma tese imunizante
O advogado e mestre criminalista Renê Ariel Dotti, que em nome da Petrobras, atua em apoio à acusação contra Lula defenderá hoje no TRF4 a tese do fim dos políticos profissionais na direção das estatais. É, a seu ver, a vacina contra a corrupção, bem detalhada nos episódios vividos recentemente nos governos Lula e Dilma na estatal de petróleo. Ele se deterá no exame do inciso V do artigo 37 da Constituição que trata de quem deve ocupar os cargos em comissão que tais funções sejam "exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento".
Fará ainda o advogado paranaense a defesa de fazer valer a regra do artigo 41, inciso III da Constituição que estabelece como obrigação "o procedimento de avaliação periódica de desempenho do funcionário, que "sendo reiteradamente insatisfatório possa levar o servidor estável à demissão".
Portanto, uma atuação não apenas punitiva, mas centrada em boa doutrina a formas de evitar o ocorrido, a tragédia que afundou a empresa. A Petrobras, como se sabe, não aceita em sua defesa a admissão dos desvios e considera os que a devastaram como seus predadores e talvez seja em função dessa postura que contratou o criminalista paranaense que figurará hoje no andamento dos procedimentos no Tribunal Federal da 4ª Região.
Essa postura - a da correção, a da vacina -, no clima estabelecido, soa um tanto quanto quixotesca, idealística, mas seguramente necessária.
Serpentário
Ainda que ganhando seguidos títulos de melhor aeroporto do país, o Afonso Pena em São José dos Pinhais é um autêntico serpentário: no ano passado em seu gramado externo uma criança foi atacada por uma jararaca e ontem uma moradora da região pediu socorro ao ver-se diante de uma cascavel no interior de sua casa. É recorde sobre recorde.
Raios
Curitiba é uma área de intenso magnetismo e sujeita a raios nessa época do ano, daí o alerta da defesa civil municipal em divulgar orientações ao público de como proteger-se e evitar abrigo sob árvores. O jogo da Copinha entre Internacional e São Paulo, em Barueri, foi também interrompido por causa da inundação e também desse tipo de risco.
Sem comando
A série de visitas de Ratinho Júnior e do ministro da Saúde, Ricardo Barros, ao presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, revela uma só coisa: falta de comando e coordenação política do governo. A impressão reinante é que tudo fica à livre inspiração dos personagens. Aliás, não há no Paraná a solidez partidária do PSDB de São Paulo que por isso domina não apenas a prefeitura da capital como o governo em sucessivas gestões: a liderança de Beto Richa (inegável nos feitos com as reeleições em primeiro turno de prefeito da capital e de governador) é concentracionista e dispersiva, voltada ao personalismo e não ao adensamento partidário. Visível também a pobreza de quadros e quando surge uma liderança potencial como a de Gustavo Fruet, o governador a despreza em favor do pepista Ricardo Barros como se deu no pleito senatorial.
A ausência de rumos pré-fixados leva ao festival de especulações, a última das quais seria Ademar Traiano assumir o governo com a renúncia da vice para disputar a Câmara Federal e a saída de Beto ao Senado. Nesse diagrama, o candidato à sucessão seria Ricardo Barros. Como dizia o Garrincha, falta combinar com os russos.
Prensa
Como as demais universidades estaduais já se integraram à Meta 4, que permite o controle dos seus dispêndios com pessoal, o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, está acreditando na adesão da UEL e da UEM, as mais centradas na resistência ao que chamam de ofensa da autonomia. Por imposição administrativa ou judicial não fogem ao enquadramento.
Pega científico
O Paraná está num pega científico diante do Instituto Butantan que condena, há muito, a vacinação aqui adotada contra a dengue. Reação lacônica do governo estadual é que se trata de política, porém o entrevero parece envolver interesses de laboratórios produtores dos imunizantes.
Fim do bar?
Um dos bares mais característicos da modernidade na capital é o bar da Brahma, pertencente aos Leprevost. Noticiava-se ontem que ele será substituído por um entidade cultural de traço municipal. Vai haver chio dos seus já tradicionais frequentadores.
Previsão
Segundo a Fecomércio, a expectativa de 59% dos empresários é no sentido de que estaremos diante do melhor dos ciclos de otimismo no primeiro semestre do ano. Indicador mais alto dos últimos tempos.
Folclore
A queima do secretário de Segurança, já prevista, em função de choques corporativos é mais uma evidência de falta de comando e de comando.





