LUIZ GERALDO MAZZA
O homem providencial
Uma das tentações políticas do Brasil é o culto ao homem providencial. Nunca um deles - seja Getúlio Vargas, Jânio ou Juscelino - foi submetido a julgamento como se dará agora no dia 24 com o ex presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, no TRF4 de Porto Alegre.
Se é boa ou ruim, a experiência não se sabe por causa da originalidade que lembra parcialmente a advertência pedagógica de "Galileu, Galilei", de Brecht, no momento em que aprofunda o sentido da tal dependência dos heróis. O fato é que iremos vivê-la e com tal intensidade visível no fato de que só se fala no acontecimento como se fosse um divisor de águas do Brasil moderno ao qual estaria condicionado o destino da Nação.
Para um setor da opinião nacional, a esquerda, que como a direita não consegue superar a inflexão populista, joga-se tudo nessa parada, razão pela qual a mobilização é a única opção viável. O Lula que vai ser julgado, agora em grau de recurso, não é mais o mesmo, nem aquele dos agitos sindicais do ABC paulista e muito menos o da carta aos brasileiros ou o vencedor de quatro eleições. Estamos diante do homem apanhado no mensalão e que caiu nas malhas oleosas do petrolão e também dos atributos e falhas do seu governo. Também com ele se apura o conjunto da obra, argumento da trama que derrubou Dilma Rousseff, comandada pelo presidiário Eduardo Cunha.
Haverá traumatismo seja qual for o resultado. E traumatismos nós conhecemos como se viu na sequência do suicídio de Vargas que mudou o rumo da condução política do país e naquele caso serviu, com a intervenção militar dos generais Lot e Odílio Denis e o impedimento da posse do deputado federal Carlos Luz, para normalizar a sucessão presidencial com Juscelino e Jango, no arremedo de frente popular que detínhamos e havia faturado a eleição.
Menos 1,36%
Os prefeitos vão continuar chiando. É que o Tribunal de Contas do Estado anunciou que os municípios vão receber R$ 6,6 bi neste exercício, o que implica numa redução do auferido em 2017 em 1,36%. Municípios mais aquinhoados serão Curitiba, Araucária, São José dos Pinhais, Londrina e Foz do Iguaçu.
Igualdade
O Brasil ganhou 12 novos bilionários em 2017 (o parâmetro da revista Forbes é de US$ 1 bilhão) num total hoje de 43 brazucas. Cinco desses ultrarricos têm riqueza igual à da metade da população brasileira. Boa parte deles desfila agora no Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça) e é claro que se discutirá "o trabalho, e não a riqueza" documento que sairá à véspera do encontro, onde é claro haverá perquirições sobre a desigualdade.
Limites urgentes
A espetacularização havida na chegada de Sérgio Cabral, algemado nas mãos e nos pés, ao presídio em Curitiba foi duramente criticada e o juiz Sérgio Moro pediu ontem explicações à Polícia Federal. Não tem cabimento o abuso que é tão deplorável quanto às vantagens que lhe davam no Rio de Janeiro no sistema penitenciário. É afinal debitada a Lava Jato qualquer erro de procedimento como esse, razão pela qual a intervenção do magistrado veio em boa hora. Tratamento degradante é primário demais para ser absorvido.
Aqui, em Curitiba, era muito comum no convívio entre repórteres e policiais haver situações como a de um estuprador que foi submetido a corte de cabelo, pintura e trajes femininos como se esse exercício de caricatura, posto na primeira página de jornal, fosse legal. Num dos governos de Requião proibiu-se o "escracho", a fotografia dos presos. Execração do preso é faixa seríssima de direitos humanos afrontados como no caso de Sérgio Cabral.
Olho no saleiro
Um projeto da vereadora Maria Letícia Fagundes, centrado numa preocupação sanitária, quer proibir o uso do saleiro nos restaurantes. Matéria é discutível, mas diante das cautelas em favor dos hipertensos, quanto ao consumo de sal, tem lá suas razões. Ela tem outra proposta no disparo: a obrigatoriedade nos restaurantes de detalhar ingredientes dos produtos para evitar casos de alergia aguda.
Óbvio
O Instituto Municipal de Turismo ouviu, em pesquisa, os frequentadores do ônibus da linha de turismo de Curitiba e 60% deles disseram que vieram à cidade a lazer e não a negócios, nicho dominante nesse tipo de migração. Óbvio que só a curiosidade poderia levar ao conhecimento da linha especializada por alguém que veio à capital para uma feira, um evento congressual, técnico ou científico. É razoável que tenha crescido a faixa dos que vêm a cidade por lazer. Um caso de truísmo. Não necessariamente de turismo. Grande parte dos curiosos da linha turismo é de Curitiba mesmo pela praticidade dos roteiros. Anos passados descobriu-se, por exemplo, que era enorme o número de curitibanos que não conheciam o Passeio Público.
Folclore
Renda per capita é uma abstração socializante segundo a qual o que você ganha, somado ao que recebem seu patrão e o jardineiro mais o rentista, dividido por quatro dá a sua base de renda. Afinal, cinco ultrarricos têm riqueza igual à da metade da população brasileira.





