Penas exacerbadas
O registro da pena de 368 anos, pedido pelo Ministério Público Federal para Eduardo Cunha, é um referencial dos tempos ora vividos. Imagine-se o que está por vir para o Sérgio Cabral, desde anteontem em Curitiba, na hora em que contabilizarem todos os seus feitos. Apurado o contexto, não dá para achar pesada a pena até agora aplicada ao ex-presidente Lula, aliás bem correspondente em dosimetria à natureza dos delitos apontados no viciado contexto do público-privado, o contubérnio. Se essa fúria penal nas mãos dos políticos cassou Dilma Rousseff, mas salvou Michel Temer, em que pese o furor dos crimes alegados, percebe-se que no âmbito judicial ganham maior correspondência em instância menos aberta a emoções e manipulações.

Assim também nos processos da Justiça estadual se percebe esse tom, que decorre claramente de um background cultural e psicossocial, e isso nas mínimas coisas como a condenação recente de três policiais em Araucária que tentavam liberar a barra de delinquentes por R$ 40 mil e acabaram pegando cinco anos de cana e também em evidências mais fortes como a do suposto líder da gangue fiscal do Estado, Marcio Albuquerque Lima, companheiro de automobilismo do governador Beto Richa, penalizado a mais de 90 anos pelas ações da Publicano.

As sentenças do juiz Sérgio Moro quase sempre são aprovadas e quando revistas aumentam sensivelmente as penas fixadas. Não se costuma fazer analogia entre o clima preexistente em função das descobertas do avanço da corrupção e a postura dos vários agentes envolvidos, mas é visível que menos justos e precisos são os atos políticos tanto o que cassou Dilma Roussefff quanto os que absolveram, por duas vezes, Michel Temer e livrou a cara de Aécio.

Moleza
A despeito das dimensões continentais de nossas fronteiras, é visível que o sistema de fiscalização de contrabando de um modo geral e de armas é precário. Tanto que em apenas uma ação da Polícia Militar de Fronteiras na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, foram apreendidas 35 pistolas, 51 carregadores e 8 mil munições. Percebe-se que a frequência das apreensões não anula o fato de que há espaço demais para a facilidade como essa operação de rotina afinal acabou confirmando.

Temer e Loures
Nas respostas ao questionário da Polícia Federal, o presidente Michel Temer afirmou que jamais autorizou o seu assessor Rodrigo Rocha Loures a falar e agir em seu nome no caso da questão portuária. E o argumento é intemporal valendo igualmente para o episódio da mala com os R$ 500 mil da JBS. Ou foi imprudente ou enxerido a prevalecer a versão. Ele (Rocha Loures) está com a palavra, mas pelo jeito não se dispõe a falar. Ao menos por enquanto.

'Beto fica'
Cada época um slogan ou um teaser tem um sentido: em passado distante o "Beto fica" tinha o sentido da vitória na permanência e os decalques inundavam os automóveis com a palavra de ordem. Hoje "Beto fica" tem mais sentido de deserção pela facilidade que haveria em obter a vaga senatorial, ainda que com o ônus de um possível confronto com um Requião disposto a destilar todas as denúncias de corrupção do seu criativo governo. Essa decisão tem implicações e uma delas seria a renúncia de Cida Borghetti (PP) e sua substituição pelo marido, Ricardo Barros (PP) como candidato a governador e ela disputando vaga na Câmara Federal, conforme as especulações mais recentes, todas com jeitinho de fantasiosas. Enfim, pode ser tudo como pode ser nada.

Mulher & política
Um grupo de professoras da Universidade Federal e também de alunas decidiram montar uma associação denominada Escola de Política e com um objetivo claro: o da maior participação das mulheres na militância político-partidária. Uma das evidências é que as cotas não resolvem o problema, razão pela qual se torna indispensável um pouco mais de doutrina e pregação.

Alerta
A Prefeitura de Curitiba faz um alerta para os riscos de afogamentos nas cavas da cidade tidas como traiçoeiras pelos especialistas. O fato é que elas são a "praia" da cidade e com o calor são muito frequentadas.

Mauá repete
Dá-se com a hidrelétrica de Mauá o mesmo que ocorreu com tantas outras com as vítimas das barragens e tivemos, anteontem no centro de Londrina, manifestação de 200 moradores de aldeias indígenas afetadas ocupando avenidas centrais e protestando contra o descumprimento de acordos de compensação por danos ambientais. Apesar do longo tempo dos cronogramas de construção, isso se repete como aliás ocorre com os pescadores de Itaipu em busca de compensações por perdas em sua produção.

Folclore
No Brasil, uns são mais iguais do que os outros. Enquanto em vários Estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Norte os funcionários públicos não receberam o 13º de 2017, os barnabés da Câmara Federal, do STF e do Ministério Público Federal já começaram a receber o abono de Natal de 2018 em antecipação. E alguém, porventura, acredita que isso ainda pode mudar? Falar em pretensões igualitárias num país travado é pura fantasia.

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