O técnico e o político
O valor político hoje no Brasil está em baixa em vista do assalto sistemático ao erário, razão para que até Michel Temer, engajadíssimo em defender a turma, entenda que não pode seguir condescendente com seus colegas mais ousados e transferir ao Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal a sanção cabível aos vice-presidentes afastados. A linha é dura com tendência ao afastamento definitivo e por uma razão simples: normas rígidas do comportamento bancário são burladas como detectou o próprio Banco Central que reforçou, com fundamentos técnico-administrativos, o pleito do Ministério Público Federal.

Se o técnico sobrepujasse o político em nossas práticas, a Petrobras certamente não estaria na situação em que se encontra. A cada vez que isso acontece no Brasil a fauna larápia (não é total, mas é maioria absoluta) faz advertências candentes contra o que chamam de tecnocracia, como tem ocorrido em vários momentos de nossa história.

O incômodo causado pela intervenção de Mauro Ricardo Costa nas questões fiscais na gestão estadual é uma evidência desse horror ao fundamento técnico que no caso reduz, e muito, a perspectiva do oba oba e da lua de mel com o poder a que a maioria se entregava antes do enrijecimento das medidas de contenção. Dá para perceber os ganhos com esse novo tipo de proselitismo : a dinâmica de grupo se alinha e percebe que o valor técnico é mais expresso do que o obtido pelo discurso populista e político.

Quando a máquina pública, tal qual se dá com a federal, é tomada pela metástase da fraude e da corrupção percebe-se que esse é o universo das lideranças por não existir outro, opção fora do "é dando que se recebe" fundamentando até cruzadas, supostamente do bem, como a da reforma previdenciária na troca de reciprocidades malévolas. Governo que ganha um tom mais dominante no lado técnico todos percebem que há uma tendência de queda nos desvios e, curiosamente, a área tocada pelo dirigente fazendário no caso paranaense está minada em seu corpo fiscal há anos saqueando, a um só tempo, o Tesouro e os contribuintes como a Publicano mostrou.

Transferência
Não tivessem sido apurados os escândalos que praticou, Sergio Cabral era um dos nomes fortes do MDB para a sucessão nacional especialmente em função da força política do Rio de Janeiro. Agora, está sendo anunciada a sua transferência como preso para o Complexo Médico Penal de Piraquara em função das regalias que desfrutava no presídio que infringem as normas de segurança e de um mínimo de equidade. A decisão foi tomada em conjunto pelos juízes da Lava Jato no Rio e em Curitiba.

Estatística e realidade
Justamente no momento em que se fazia estardalhaço nas estatísticas de regressão do crime e de variadas formas de violência no Paraná, um assalto, bem de rotina, perto do meio-dia, no shopping do Pinheirinho, na capital, depenava um carro forte com o roubo de duas maletas. Esse tipo de ocorrência é quase diário o que revela facilidades exploradas pelos migrantes do crime como se denotou, em certo momento, com quadrilhas de Santa Catarina no assalto a caixas eletrônicos.

O esporte
Não é a primeira vez que o esporte pinta como possibilidade de paz com a decisão de as duas Coreias desfilarem juntas na abertura da Olimpíada de Inverno sob a bandeira da península unificada. É uma alegoria como foi aquela abertura de Nixon com a China, valendo-se do diálogo do tênis de mesa. Pode ser uma ilusão, um fato pontual, mas marca e emociona.
A unificação do time feminino de hóquei dos dois países é um desses avanços.

Homicídio despenca
A meta da Secretaria de Segurança era a de superar a taxa de 20 homicídios por 100 mil habitantes e em 2017 chegamos a 19, menor incidência desde 2007. É a primeira vez que fica abaixo de 20, que é ainda, consideremos, número elevado na visão da OMS (Organização Mundial da Saúde). Houve aumento de 15% em crimes contra a dignidade social e 5% em crimes contra a administração pública, isso por força, segundo as autoridades, do aumento e a frequência das denúncias.

O secretario Wagner Mesquita está revisando dados sobre mortes de pessoas em confronto com a polícia, matéria levantada novamente pelo Gaeco. Isso é importante num momento em que há conflito de corporações entre civis e militares.

Folclore
No ciclo punitivista que toma conta do país é perceptível um certo sadomasoquismo de boa parte do público em desejar o máximo de constrangimento aos sentenciados em casos como os de Paulo Maluf e agora na história da transferência de Sergio Cabral, ex-governador fluminense, por abuso de vantagens como presidiário. Em 1964, em presídios militares como o da Ilha das Flores (o Fábio Campana da terra estava lá) e a burguesia cariosa ia olhar os presos como se estivesse num zoológico. Cada tempo com seu tipo de sadismo como de Maluf se arrastando com bengala e isso servindo de compensação psicológica para muitos.

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