LUIZ GERALDO MAZZA
O social vai mal
O timbre de "social" sempre foi uma forma de preservar intenções progressistas e voltadas para a busca da igualdade pelo governo. Embora o secretário de Saúde, Michele Caputo, anuncie que se afasta para disputar mandato de deputado é difícil imaginar das áreas sociais restantes, a de Educação e Segurança, alguém que pretenda fazê-lo em nome de ações praticadas. O setor essencial do governo (dá para lembrar o "tudo pelo social" de Sarney) é expressão de tumulto e incompetência.
Vejamos o que ocorre na Segurança, posta em xeque pela ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do CNJ, na questão presidiária, especialmente na superlotação das cadeias distritais. Nessa mesma semana, houve ataques em agências bancárias de Piraí do Sul e Guaraqueçaba e ontem mais dois ataques na capital na agência do Bradesco, na Vila Hauer, e outra mais ousada perto do meio dia numa do Novo Mundo. Ainda na edição de ontem desta FOLHA em manchete havia o registro de crescimento de 50% nos assaltos a bancos, embora com uma redução de 22% nos ataques a caixas eletrônicos, entre 2016 e 2017. Só numa semana, a que vivemos, uma alteração brutal nas estatísticas com os primeiros casos do ano.
Na área da educação, o governo vive sitiado e pelo menos parece agora disposto a enfrentar o adversário crônico, a APP-Sindicato, no sucesso que cerca até aqui a realização dos concursos do pessoal temporário que a eles compareceu, aceitando o regramento oficial relativamente a salários que os corporativistas querem aumentar na marra, desconhecendo, embora sofrendo no bolso, as agruras da situação fiscal com o reajuste encruado.
Se leva nota baixa no social, que espaços há ainda para pontuar?
Encenação continua
A encenação de que Beto Richa fica até o fim do mandato, e o propósito é tratar com desdém a vice-governadora Cida Borghetti e fustigar o ministro Ricardo Barros, persiste, mas como a confiança nas decisões do chefe sempre são imprecisas, o pessoal do cerimonial cuida da posse da candidata à reeleição e da saída do titular.
Não tem a imponência clássica do "ser ou não ser" do príncipe Hamlet, mas faz parte do dia a dia do convívio palaciano na sua identificação mais bufa.
Cronograma apertado
Para que a intenção revelada pelo delegado chefe da Polícia Federal, Fernando Segovia, à ministra Carmen Lúcia, de encerrar cerca de 200 processos de pessoas com foro especial até o fim do ano fosse viável seria preciso evitar novas investigações e procedimentos como mais três conclusos contra o ex-governador Sergio Cabral e outros que tramitam no exterior, Estados Unidos, Europa e América Latina, se é que não pintam também os da África. Estamos ainda nos desdobramentos das delações de Lúcio Funaro e casos como o da mala dos R$ 500 mil de Rocha Loures e o achado dos R$ 51 milhões do Geddel demonstram à perfeição que é impossível aceitar a pressa, sua inimiga essencial.
De outro lado, há a considerar que só da Suíça há 800 contas com mais de R$ 2,2 bilhões sob bloqueio quando de devolução só tivemos até agora R$ 660 milhões.
Os anéis
Em meio a essa abusiva invasão do Judiciário em prerrogativas do Executivo, visível no episódio da nomeação da ministra do Trabalho, não poucos lembraram da teoria dos círculos concêntricos da moral e do direito. O círculo maior é o da moral e o bem menor o do direito, na definição essencial de que ele é, antes de tudo, o mínimo ético. O conceito de moralidade apontado como fator decisório para o impedimento extrapola a faixa jurídica. Nem tudo o que é condenado pela moral é sancionado como expressão jurídica.
O ativismo judicial, ainda que baseado no bom momento da Lava Jato e centrado na maioria da sociedade, subverte o teorema constitucional e isso desde aquela negativa contra Lula para assumir a Casa Civil de Dilma Rousseff.
Binário incompleto
A Secretaria de Trânsito anunciou melhoras na extensão do binário Mateus Leme-Nilo Peçanha na capital com intervenções pontuais em faixa de pedestre, radares e sinalização. Os cicloativistas não deixam por menos e querem a faixa para as magrelas. Rafael Greca afirma que haverá outros binários na cidade.
Inflação
Há cada vez mais ceticismo com as metodologias que apuram inflação e custo de vida. É que os preços administrados água, energia, combustíveis sobem a níveis exasperados e isso não aparece nos tais resultados técnicos. Dá pra ver agora na compra de material escolar para os filhos como é a escalada dos preços fora dos diagramas oficiais. Junte-se a isso a questão dos planos de saúde e das próprias cobranças como as do IPTU e IPVA. E tem ainda a tarifa branca da Copel-Aneel que poderia ser anunciada com o clássico da MPB "Bandeira branca".
Folclore
Nos anos setenta, quando ainda não havia a onda ambientalista, um cronista social botou em sua coluna uma nota de advertência contra um restaurante que vendia "carne de onça" e exigindo respeito ao felino pedia providências ao Ibama da época.





