Édito do xerife
O comandante da Polícia Federal reforçou a equipe de delegados e agentes visando cronograma ousado: resolver todos os 200 processos que devem seguir para o STF, nem todos da Lava Jato, até o fim deste exercício. A ordem de Segóvia é limpar a pauta para o novo país que viria com os eleitos deste ano. Tem todo o sentido, se é que isso é possível, diante de tantos rituais e procedimentos que dificultam a conclusão dos processos.
Bem melhor e mais civilizado do que a imaginária operação abafa que muitos pessimistas veem em pleno andamento num momento de agudo ceticisno em relação à Justiça.

O mesmo hnow how
Michel Temer, embora desgastes como o da ministra do Trabalho, vai manter pela Reforma da Previdência o mesmo tipo de pressão (emendas, obras) utilizado na sua absolvição na Câmara Federal nas duas denúncias da Procuradoria da República, entregando ao seu ministro Carlos Marun R$ 10 bi em finalização de obras em redutos dos que votarem a favor. Recursos sairão justamente da aprovação de novas regras da aposentadoria.
O caso da ministra do Trabalho e a persistência de Temer em buscar mantê-la decorre da garantia (fechada) dos 10 votos da bancada do PTB.

Riquixá em Curitiba
A delação premiada do advogado Sacha Reck deu mais força e densidade à operação Riquixá que alcança mais de 20 municípios do Paraná e também de São Paulo, Minas Gerais, Brasília e ainda Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Mato Grosso do Sul quanto à regularidade dos seus sistemas de transportes coletivos. Alvos da operação no Paraná as licitações de Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Piraquara, Telêmaco Borba, Apucarana, Paranaguá e Guarapuava, onde tudo começou. Impacto do bloqueio de R$ 13 milhões de pelo menos 20 investigados anteontem em Paranaguá pode reservar surpresas para Curitiba na gestão de Beto Richa como prefeito da capital quando houve a licitação que manteve o statu quo. Onde Beto vai, pelo que se vê, o Gaeco vai atrás.

Cenas e sinais
Encontro anteontem de Ratinho Júnior e Ademar Traiano é a continuidade da novelinha de mau gosto (como tudo, aliás, da nossa política), iniciada com a afirmação de Ricardo Barros de que Richa apoiaria Cida Borghetti, seguida da declaração esquiva do governador de que estaria propenso a ficar até o fim do mandato e repicada pelo pepista no sentido de que a postulação de sua esposa, ainda assim, mesmo sem caneta, seria mantida. Enquanto isso, gestos concretos de Richa como repasse de fortunas aos municípios e entrega de obras (144 casas) no Noroeste ontem sinalizam justamente proselitismo senatorial. Marx teria dito a Hegel, corrigindo-o, que a história se dá como tragédia e se repete como farsa. Aqui, nós só temos farsa, isso também em termos nacionais. E da dimensão minúscula visível nesses episódios, medíocres como tudo por aqui. É mais a miséria da filosofia do que a filosofia da miséria.

Dengue
E os levantamentos seguem mostrando a evolução de casos da dengue no Paraná. Subiram nos últimos dias em 9%, agora são 371.

Comportamento
O maniqueísmo não se limita ao caso da política no "nós contra eles". Excesso de punitivismo como o da Lava Jato tem resposta em artigos pedindo reflexão e moderação como se viu na critica à liminar do juiz que impediu pelo fundamento da moralidade a posse da nova ministra do Trabalho. Como o feminismo está em ascensão e carrega nas tintas contra o assédio, como se viu nas exacerbações do Globo de Ouro, houve um repique no "Le Monde": um manifesto de mais de cem mulheres, entre elas a atriz Catherine Deneuve, escritoras e gente do mundo acadêmico, combatendo o denuncismo. Diz o texto que os homens devem ser livres para abordar mulheres e que seduzir alguém, ainda que de forma insistente, não é crime e prega enfim que as mulheres se unam contra "inimigos da liberdade sexual". Como ensinava Horácio, não o Rodrigues vereador de Curitiba ou o maringaense Racanello, secretário da Justiça de José Richa, mas o Horácio clássico com a expressão "modus in rebus" isso é "moderação nas coisas". Como obtê-la e, mais ainda, como praticá-la, é a questão. No momento, tudo dá empate em meio a muito ódio.

Folclore
A greve dos policiais civis e militares no Rio Grande do Norte, depois de 22 dias, acabou. Nós já tivemos, em passado distante, uma greve dos delegados de carreira que durou pouco tempo porque a omissão deles justamente diminuiu a taxa de violência como a das prisões para averiguações. À época o jornal "Correio de Notícias" publicou um conto "A greve dos ladrões", de Valêncio Xavier, que ironizava o quadro criado pela ausência em cena dos gatunos, angustiando policiais, jornalistas e magistrados que ficavam sem ter o que fazer.

mockup