Microimpasse
Não é o fim do mundo, mas teremos certamente ao menos um microimpasse na base aliada com a declaração do ministro Ricardo Barros de que se Richa não disputar o Senado assim mesmo Cida Borghetti, sua esposa, disputará o governo ainda que sem a caneta à mão que tanto a ajudaria. Quer dizer: a resposta tem mais força e personalidade do que o vacilo e a hesitação do governador.

Se o propósito da declaração do governador de que ficaria até o fim do mandato era cutucar o aliado de sempre, não se viu no gesto de Ricardo qualquer frustração ou receio, mas a firmeza de quem sabe o que quer. Em muitas coisas mais há no governador essa fragilidade no expor-se como se dá com suas relações de quase intimidade com gente envolvida até o pescoço nas operações Publicano e Quadro Negro que tanto o comprometem.

Sua reação, na entrevista ao "Estadão", deve ter sido comemorada por todos os que direta ou indiretamente a estimularam, crendo num "deixa pra lá" em Ricardo Barros e nunca na reação havida que apenas reafirma senso de determinação. Se tudo permanecer assim, que não é bom para nenhum dos dois lados, teríamos a intimidade do governo (a chapa afinal foi assim montada e eleita) minada pela desconfiança e o primado do sentido menor de uma vice imobilizada pelo incomum reativismo do governador.

Se aliados de Richa, inconformados com a postulação de Cida, mais ainda do marido pepista, viram na entrevista um ponto para o governador, estão agora convencidos que a resposta é que acabou jogando o adversário nas cordas e deixando mais um abacaxi para descascar. Ora, na equipe de Richa, pelo menos isso se deu em algum momento, até a atração de Osmar Dias era uma hipótese de trabalho, dadas as oscilações opinativas do grupo. Que o PP pode manter a candidatura de Cida nem se discute e o apoio do marido é chave para tanto. Como se vê as relações de família embasam o poder político no Brasil e nessas tratativas nem sempre o conjunto da sociedade é parte.

Riquixá
A operação Riquixá, do Gaeco, aquela que devassou o mundo dos transportes coletivos, chegou fortíssima em Paranaguá com a Justiça determinando o bloqueio de R$ 13 milhões de vinte pessoas entre empresários, executivos, técnicos, advogados e o ex-prefeito e o ex-titular da pasta que respondeu pela licitação impugnada. Esse procedimento alcançou outras empresas e prefeituras de Guarapuava, Maringá e Foz do Iguaçu. Curitiba, dessa feita, não entrou na liça.

Submissão hierárquica
O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures negou peremptoriamente ter relação de amizade com o presidente Michel Temer (no caso da investigação portuária sobre a Rodrimar), mas tão-somente uma componente hierárquica de chefe para assessor, estrita ao âmbito profissional. Ele pode dizer o que quiser já que a imagem dominante de sua história é aquela corrida com a mala cheia de dinheiro pelas ruas de São Paulo e cujo destinatário é um fantasma. Alegação pode valer para os dois casos, o das mediações portuárias e o da JBS e da mala. Entre militares, esse fundamento, o da obediência hierárquica, aparenta ter mais força.

Globo e Lula
Bastou o Faustão levar o Luciano Huck e a esposa em seu programa para o PT ameaçar céus e terras pela inconveniência dessa intervenção já que o artista global comanda um movimento liberal dentre tantos que fazem pregação política. Quando se ensaiou a ideia presidencial do animador de TV, Lula se valeu de bravata para dizer que se ele, Hulk, viesse com a logomarca global o derrotaria mais facilmente. Ora, experiência de Lula contra a Globo há uma e de derrota no caso da eleição de Collor de Melo, capitão donatário da rede em Alagoas. Por sinal que a Globo foi de uma falta de ética exemplar na edição do debate e não estaria disposta a reproduzir aquele tipo de atitude como já o fizera na eleição de Brizola no Rio no caso de uma tentativa de manipulação de resultados pela Proconsult. Lembre-se que Lula ganhou fácil o primeiro debate e teve desempenho pífio no segundo, ainda por cima editado grosseiramente e de forma facciosa.

Inspeção ministerial
Há pouco menos de um ano tivemos uma rebelião em Piraquara com duas mortes, portanto, uma estatística que não dá pra confrontar com a do resto do país. E quem nos visitou ontem foi a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF e do CNJ, empenhada em missão junto ao sistema penitenciário. Inspecionou a modelar unidade de progressão e a de custódia. Junto estava a advogada Isabel Kugler Mendes, que comanda uma associação da comunidade e que foi a nota, como sempre acontece, permanentemente crítica dos temas tratados.

Folclore
Um dos assuntos na visita ao sistema penal foi a do trabalho dos apenados que, segundo Isabel Mendes, não ocupa mais de 15% (deficiência crônica, um pouquinho melhor no campo da educação). Vejam que Aparecida de Goiânia é um complexo industrial o que não impediu essas rebeliões contínuas com fugas e assassinatos. A visita anotou, refletiu, mas dentro em pouco teremos novas tragédias, especialmente, a das cadeias distritais com 9 mil detentos.

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