Oposição necessária
O governo estadual não tem oposição e, por isso, é ousado, tanto que anunciou para este mês o edital da paralela de Praia de Leste ao Pontal que viabilizará a operação portuária da Ponta do Poço e que detonará a mata atlântica, hábito que vem se aplicando com engenho e arte. Como a resistência do movimento ambientalista é insuficiente, tanto que o ataque aos Campos Gerais permanece programado, restam dois vetores no papel de oposição: a APP, posto que voltada apenas para causas corporativas e a Adepol, dos delegados de carreira, essa mais abrangente nas demandas como a luta contra os cárceres superlotados que a levou a denunciar o governo Beto Richa como infrator sistêmico dos direitos humanos à OEA.

Certamente, teremos fricções entre esses oponentes do governo e a guarda pretoriana oficial que já mostrou com o massacre de populares, mais de duzentos, e que não sofreu nenhuma lesão no Judiciário apesar das dimensões do ocorrido. Primeiramente, os policiais tentaram o caminho da APP - o recurso da greve que, vetado na Justiça, levou a Adepol a partir para o campo mais radical com a denúncia no organismo multilateral e impondo, caso prospere, uma derrota no campo internacional ao Palácio Iguaçu e configurando a pressão cívica contra a crueldade.

É que chegou a um ponto que não parece mais sensibilizar o poder público a série de fugas de presos que levam o público, que mora no entorno prisional, ao desespero como se deu em Sarandi, ao Noroeste, em que um cidadão revoltado se dispôs à atitude quixotesca de impedir que levassem mais um preso à cadeia distrital. Nesta semana, entre o Natal e fim de ano, outras escapadas como as já tradicionais de Cambé e a mais recente a de 30 de dezembro no 8º Distrito (Portão) com a fuga em massa de 16 mulheres, das quais, pelo menos até agora, foram recapturadas apenas três.

Como a oposição é aritmeticamente frágil, há que se confiar em polos de resistência que venham de sindicatos como de outros organismos sociais. Fazer enfim como o Brasil no regime militar quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e a Sociedade para o Progresso da Ciência substituíram, e com vantagem, os partidos.

Raciocínio lógico
A Petrobras fez acordo nos Esteites, por causa das trampolinagens que prejudicaram acionistas daquele país, da ordem de R$ 9,5 bi. Como ela sabia quando processou Paulo Francis com quem estava lidando e que levou à morte prematura do jornalista, certo de que teria que pagar indenização ciclópica à petroleira. O episódio da Fifa e da caça aos cartolas intocáveis da CBF é um exemplo. Daí o acordo caríssimo, mas que foi o melhor caminho.

Inimigos, quase sempre réus, da Lava Jato vão alegar que as investigações dão mais prejuízos do que vantagens, mas no fundo querendo uma consertação que funcione como anistia aos "guerreiros do povo brasileiro", ladrões travestidos de combatentes, Robin Hood às avessas.

Agora, o empenho da Petrobras e dos seus advogados, dentre os quais Renê Ariel Dotti, será fazer tudo para evitar que o acordo fechado nos Estados Unidos chegue ao Brasil como pretendem mil acionistas brasileiros em ação também de arbitragem. Lá, é mais em cima. É que acertos dessa mesma natureza desde 1996 em 2.295 acertos montam em US$ 91,5 bi. É jurisprudência para ninguém botar defeito ou ousar subestimá-la.

Um feito
Da operação praias há muito a destacar e o primeiro dos fatos a destacar é a boa condição de balneabilidade do mar, segundo os últimos boletins. Mas é também mérito da Sanepar o trabalho de varrição da areia de todos os balneários que registra nos últimos 14 dias a remoção de 200 toneladas de lixo.

Temer também
Gilberto Kassab admitiu que o esquema de centro-direita pode ter como candidatos o ministro Henrique Meirelles, o presidente Michel Temer e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. A inclusão de Temer se fará também como ideia força no respeito ao seu legado, mas o listado preferencial é Meirelles cuja atuação no limite dos gastos e nas reformas é paradigma.

Aldeia política
O veto ao deputado Pedro Fernandes, que teria partido tanto de Sarney quanto de Lobão, políticos maranhenses, para o Ministério do Trabalho teve uma saída oligárquica bem ao estilo brasileiro: quem fica no posto, Cristiane Brasil, é filha do cacique do PTB, Roberto Jefferson. Se o veto foi trama de aldeia, a solução também assim se caracterizou. Aliás, aqui especula-se que Beto Richa tentará emplacar o irmão Pepe para federal e um filho para estadual da mesma forma que Ricardo Barros faz sua campanha para federal, a da mulher para governadora e da filha Maria Victória pela reeleição na Assembleia. Oligarcas, graças a Deus e às nossas viciosas tolerâncias.

Folclore
A cada vez que se fala em práticas oligárquicas é lembrada a frase de Guataçara Borbos Carneiro que nomeara o filho, Paulo Carneiro Ribeiro, para o Tribunal de Contas e ao ouvir uma crítica ao fato respondeu ao temerário observador: "Vosmicê queria o quê? Porventura que nomeasse o seu?".

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