Vice em igualdade
Segundo os institucionais do governo, o Paraná é a segunda unidade federativa em igualdade. Pela forma como tanto o governo estadual quanto o municipal da Capital tratam o seu funcionalismo, congelando os salários - e isso por mais de uma vez - é de esperar-se que tal empenho vise, antes de Michel Temer com a reforma da Previdência, reduzir o possível fosso que separa os ganhos de trabalhadores comuns aos públicos.
Para o mercado, o bezerro de ouro da moda, isso é avanço na austeridade, mas para os barnabés se trata apenas de um sinal marcante dos dois governos na bandeira da exclusão, já configurado no aumento da taxa previdenciária, na supressão do sistema próprio de saúde e na negativa à oferta de medicamentos, antes cultuada. Outra coisa comum: o desfrute com os fundos de pensão em saques e empréstimos, reduzindo o seu horizonte atuarial.
O secretário Mauro Ricardo Costa, da Fazenda, disse que o nível salarial do pessoal, em relação aos demais do Brasil, é tão elevado que figura na categoria top e, consequentemente, dá-se–lhe uma resposta conveniente ao reequilíbrio social com um top top.

Privatização
De cada dez brasileiros, nada menos de sete são abertamente contra as privatizações num país habituado a estatizar até as privadas, pela qual tanto se bateu o deputado federal Pedro Lauro. Esse é mais um levantamento do Datafolha que mostra afinal a faceta essencial dos nossos dias – a de termos um governo federal que aposta de forma sistêmica em contrariar justamente o que o povo pensa e quer e daí ter um orgulho extremo, sadomasoquista, de sua impopularidade, jamais alcançada por antecessores. Ao acobertar-se na impopularidade para alegar distanciamento do culto à popularidade, afinal raiz e fundamento de uma das nossas piores distorções, a do populismo, tenta mostrar-se diferenciado.
Pessoas do norte e nordeste (78% e 75%) são mais impermeáveis à negociação de empresas públicas como a Eletrobras e a Petrobras e os que declaram voto em Lula (80%). No sudeste, olho do furacão de nossa economia, o maior índice de aprovação da desestatização com 25%, todavia com 67% reprovando a venda. 55% dos que apoiam Alckmin são contrários e 58% no eleitorado de Jair Bolsonaro. Esse material é de primeira para que o governo federal aprofunde seu mergulho abissal na impopularidade, quanto mais forte, melhor aos seus intentos.

Caixa três
A Polícia Federal detectou indícios de caixa três na campanha de Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal: recepção de dinheiro de empresas a mando da Odebrecht, técnica essa vista como caixa três na triangulação com a Cervejaria Petrópolis, produtora da Itaipava. A PF diz ter identificado R$ 200 mil que chegaram ao parlamentar dessa forma em 2014. O currículo está aumentando. Escapa alguém, pelo menos da cúpula dos poderes políticos?

Nomes
Ranking dos nomes mais escolhidos em 2017 no Parana: em primeiro Miguel, em segundo Artur e em terceiro Alice. Uma escolha a Migué.

Vietnã
No feriadão de Natal, tragédia nas estradas com 16 mortes nas estaduais e federais em acidentes.

Impacto
Há dois momentos em que o município, dada à desfigurada descriminação da renda do nosso falso federalismo, treme nas bases: quando na fixação de salário mínimo que o ameaça afundar. Agora o temor maior é o da aplicação do piso nacional do magistério, que subiu 6,82% e atinge R$ 2.455, o que é sabidamente inviável para mais de 4 mil municípios por seu impacto devastador nas finanças públicas.
Se cidades de porte como Curitiba e Londrina têm dificuldades para esse ajuste, imagine-se o que se dará com a extrema maioria.

Marca do pênalti
O casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernado está com seus processos em fase final num total de 3 mil páginas e pode-se prever o julgamento para os primeiros meses de 2018. Gleisi, hoje no papel da Dolores Ibarruri, a Passionária, da Guerra Civil espanhol, se mantém no ataque e diz ser incompatível com a postura de um juiz o estrelismo de Sergio Moro. Tanto ela quanto Lula escalaram o magistrado da Lava Jato como um perseguidor obstinado.
Para um país que tem como presidente uma figura de rala expressão como Michel Temer e o ex mais popular já condenado, obviamente alguém que tente aqui aplicar a justiça e combater a corrupção se tornará um astro pela excepcionalidade da sua atuação, aparentando espetáculo. Quando os principais atores são ruins, o médio aparenta genialidade.

Folclore
A ofensiva marqueteira do governo estadual melhorou bastante o seu Ibope, ainda negativo, mas em acelerada recuperação com 41% de positivo quando meses atrás estava com mais de 70% de negativo. É o retrato mais recente da Paraná Pesquisas. Na amostragem para o Senado perde de Requião e de Dallagnol, ao menos por enquanto.

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