Hora de faturar
Na hora de faturar, fazer prosélitos visando eleições, o mais forte é o Executivo, como Beto Richa vem fazendo, repassando grana a praticamente todos os prefeitos e num ativismo voltado para o mesmo objetivo como aquela ideia de poder firmar convênios em cima da campanha, que é de uma indecência piramidal por quebrar a neutralidade, imposta no espírito da legislação eleitoral.
No meio desse cipoal de intenções, anseio de marcar posição, Ratinho Júnior apresentou uma emenda que obstruía o intento oficial de ferrar o microempresariado com ICMS mais elevado na primeira estocada do postulante ao Palácio Iguaçu depois daquela paparicação em cima da Cida Borghetti por parte dos aliados do governo. Só que houve um detalhe desapercebido: o prazo das emendas estava vencido, posto que 17 delas tivessem sido acolhidas.

Não deu pra Ratinho Júnior emplacar sua discreta rebeldia e ainda, por maldade, o apelidaram de Rubinho Barrichelo por chegar sempre atrasado.

Tucanato humilhado
Ficar em cima do muro por hábito impede o exercício da catatonia, aquela dos estados psíquicos que lembram a estatuária, mas o PSDB moralmente está expulso do governo Michel Temer com as declarações de Eliseu Padilha (da Casa Civil) de que não mais faz parte da base aliada. Claro que isso é uma resposta ao ato não de rebeldia e sim de singela sobrevivência de ungir Geraldo Alckmin como presidente da sigla e ipso facto habilitar-se à sucessão no espectro da centro-direita ainda que simulando esquerda com seu último documento doutrinário que se opõe ao Estado mínimo sem cair no abuso oposto. O pendularismo revelado na votação das medidas punitivas contra Michel Temer e o apelo pró-desembarque consolidaram as relações (no plano moral em aberta simetria) do PMDB com o centrão ansioso para ocupar as vagas ministeriais.

A impressão que dá é que o desembarque é forçado, o que diante do padrão atual das práticas governistas, dá certidão menos desonesta aos expulsos como se aí se repetisse a frase da Kátia Abreu, senadora, de que levar cartão vermelho desse time é atestado de boa conduta. De qualquer jeito, merecidamente, o PSDB sai muito mal na fotografia.

Prêmios
Na 4ª edição do prêmio sistema Fiep de jornalismo, a FOLHA retomou uma tradição da casa e seu editor de fotografia, Sérgio Ranalli, ficou em primeiro na categoria "fotojornalismo" e no impresso Magaléa Mazziotti, repórter de Economia, figurou em segundo lugar e Victor Lopes, da Folha Rural, em terceiro.

Batendo cabeça
A Anvisa decidiu restringir a vacina contra dengue por entender que o produto não deva ser empregado para pessoas que nunca tiveram contato com o vírus. O alerta teria sido dado pelo fabricante da vacina no risco de que esse grupo desenvolva formas mais graves da doença pós-ataque do Aedes aegypti. Mas as autoridades sanitárias do Paraná discordam e esse tipo de conflito, ainda que possam todos os lados ter uma parcela de razão, nada tem de útil, mesmo que se alegue mais vivência no enfrentamento da doença e suas sequelas em nosso território.

Escarpa devoniana
Um grupo de estudiosos do meio ambiente produziu documentário de vídeo defendendo a integridade da Escarpa Devoniana dos Campos Gerais ameaçada por interesses pragmáticos do agronegócio que deseja utilizar espaços sob proteção para a prática agrícola. Essas pessoas levaram o clip até os deputados e um dos que mais argumentou contra a iniciativa foi uma das autoridades no tema, o Henrique Schmidlin, o "Vitamina", um dos maiores conhecedores dos biomas da terra e que dirigiu órgãos especializados do governo estadual.

Táxi rosa
Para emplacar o ônibus pantera só para mulheres, como já se tentou na Câmara Municipal de Curitiba, vai ser difícil, todavia há uma inovação anunciada: um aplicativo que atenderá esse objetivo em serviço de táxi dotado, inclusive, do botão do pânico em ligação com a Guarda Municipal para coibir violência.

Fiscalização
Nosso grande problema com leis protetoras é o da falta de fiscalização, porém, às vezes, há surpresas como ontem com a descoberta de uma pessoa que vendia gasolina e diesel no fundo do quintal e a Secretaria do Meio Ambiente municipal flagrou e multou (R$ 37 mi) um caso de desmate em área protegida do Umbará, onde há respeitável o remanescente verde. Casos em que há tudo de delação, o dedo duro virtuoso.

Folclore
O governador Paulo Pimentel se elegeu entre outras coisas por ter sido caracterizado como o chapéu de palha, marca típica do homem do interior. Uma dia foi visitar Barbosa Ferraz e o prefeito Arnaldo Coneglian quando avistou uma faixa que se reproduzia nas ruas: "Ao rei, a coroa, ao líder do povo, o chapéu de palha!". Paulo tinha sido o principal secretário de Ney Braga ao restabelecer no Paraná a mística da pecuária, que tivera seu ponto ato com Manoel Ribas, com a introdução em alta escala feita por Garcia Cid de gado indiano contrabandeado e na marra no governo Moisés Lupion.

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