LUIZ GERALDO MAZZA
Rever tudo e já
Se havia alguma dúvida quanto à necessidade de brecar as ações oficiais pela clara prorrogação dos contratos de pedágio, agora apareceu uma definitiva no reajuste que vigorará a partir de 1º de dezembro: 3,83% na Ecovia, o filé que vai ao porto e às praias e o de 7,92% na Viapar que alcança o Norte e Noroeste. O mais baixo da EcoCataratas ficou em 2,75%.
Não há argumento mais forte do que o que atinge o bolso e aí todas as demandas em torno do tema reaparecem para impor como regra básica do futuro governo a revisão de tudo e um chute na barraca da prorrogação que o oficialismo fazia em ofensiva junto às entidades de classe e que contou felizmente com a reação da Federação das Indústrias, cortando-lhe o barato. Ninguém esquece do levantamento derradeiro da CNT (Confederação Nacional dos Transportes), que mostrou a queda de desempenho no Paraná, tanto das pedagiadas quanto das mais abandonadas estaduais.
Resposta
Quanto mais se acentua o esforço político do governo e dos seus aliados para brecar o fluxo da Lava Jato (e isso nitidamente revelado nas CPIs e em projetos como aquele do abuso de autoridade), mais relevante se torna a frequência de atos de resistência com a continuidade das ações judiciais e respectivas sentenças, bem como essa frente comum da força-tarefa com a declaração de princípios acertada em oposição ao abafa por parte dos integrantes da Polícia Federal e Ministério Público de Curitiba, São Paulo, Rio, Brasília, tudo indicando ação unívoca.
É por não subestimarem a fauna, que deu uma demonstração de sua ética na compra e venda de emendas e votos em favor de Michel Temer por duas vezes e reprisada na abusiva decisão liberando o senador Aécio Neves flagrado, com imagem rica e detalhada, mordendo a JBS em duas milhas. O Brasil que temos é o exposto pelo parlamento e o Executivo e o que queremos está no processo que consolida a guerra contra a corrupção e a impunidade. É um divisor rígido, que caminha para o maniqueísmo à falta de outras alternativas e isso é tão claro que o fato de a Lava Jato ter chegado em Geraldo Alckmin, o que não espanta ninguém, é visto por alguns tucanos como manipulação em cima dos processos judiciais no momento de interesse, conforme essas mentes rumo à paranoia, de Temer que exclui o PSDB de sua aliança.
Com a sagração de Alckmin como saída na presidência do PSDB, é evidente que a sua chance de sair postulante presidencial aumenta de forma considerável e mexe no espectro de centro-direita no qual se incrusta o time do governo, inclusive o ministro Henrique Meirelles, o mais credenciado, e Rodrigo Maia, o mais ágil que finge de bobo com cara de adolescente em pane.
Mariposa
Outro dia, o litoral esteve às voltas com a dengue, em que Paranaguá acabou liderando todas as estatísticas estaduais e agora volta a preocupar-se com sucessivos casos de alergia produzidos por um resíduo das mariposas. É motivo novamente para alarme.
Paralisia
O que houve com as nossas entidades conservadoras que se calaram num momento agudo de alta de tributos no Estado e na prefeitura da capital, aquele no caso das micro e pequenas empresas que chegou a dar alarido, e nessa em tributos como o ISS e IPTU. Numa recessão, a crise tem que ser partilhada, jamais porém com o silêncio, a omissão. No tempo de Carlos Alberto de Oliveira e Oscar Schrappe Sobrinho, a bronca estaria armada. No governo Lupion, Schrappe pregava abertamente o não pagamento de tributos, crime previsto na LSN (Lei de Segurança Nacional),
Bandeira 2
Taxistas de Curitiba, em função da concorrência dos aplicativos, não querem mais a cobrança da bandeira 2, habitualmente vigorante à essa época do ano. Ficariam em pior situação para encarar o Uber e congêneres. A Urbs acatou o pedido, mas liberando o uso pelos que o desejarem. Essa concessão era tida como uma espécie de 13º que com a concorrência acirrada perde o sentido.
Anomalia
A acusação de que o binário, ontem inaugurado, Mateus-Leme-Nilo Peçanha, consolida o monopólio do automóvel segue caminho oposto ao das transformações de Lerner em Curitiba que fixou a Área Central de Tráfego Lento, semáforos sincronizados e implantou o calçadão ao mesmo tempo em que investia em ciclovias, embora de sentido mais recreativo. Ora, ao longo da Mateus Leme temos dois parques, o São Lourenço com o Centro de Criatividade, e o da Barreirinha que o ciclismo e as caminhadas aconselharam figurar no diagrama com apoio, é lógico, em sinalização especifica.
Folclore
Sob o comando de Levi Lima Lopes, um dos mais eficientes diretores da Polícia Civil que tivemos, o Detran teve a má inspiração de exigir de taxistas que usassem um boné como peça de uniforme. Uma manhã a massa de motoristas foi até a frente do Detran e lançou na calçada os bonés impostos por algumas senhoras vitorianas que sempre voltam à cena, como aliás nos dias de hoje.





