Um alerta apropriado
Uma decisão ontem do TRF4 fulminou, de vez, a pretensão de fazer um corredor do Porto de Antonina desde a BR-277 e que era demandado não apenas pelo interesse do explorador do Terminal da Ponta do Fêlix mas também do próprio Instituto Ambiental do Paraná que já esteve enrolado em outro caso de agressão ambiental ao autorizar ocupação indevida de área protegida. Nesse caso, aliás, o próprio governador bem como a Administração dos Portos são processados.
Novamente, o IAP volta a ratificar interesses do governo na questão da viabilidade de rodovia paralela à que conduz à Ponta do Poço, em Pontal do Sul, que encontra resistência de ambientalistas pela destruição de mata atlântica, mas não aceitas pela Procuradoria Geral do Estado e a maioria do Conselho do Litoral. Pelo jeito, o caminho novamente será o judicial, ainda mais quando todas as instituições oficiais se engajam numa causa como se fosse matéria de fé e de esparramado confessionalismo. A troco de que tanto estudo de viabilidade como o da ponte de Guaratuba e agora esse de acesso ao Pontal e tudo no litoral? Leva jeito de aceno eleitoral no qual já estão sendo aplicados milhões em auxílio a prefeituras.

Minorias se movem
Minorias se movem para tentar obstaculizar ações da Lava Jato e não se limitam aos criminalistas que perdem espaço com o instituto das delações e isso se deu anteontem num congresso de procuradores municipais quando um grupo deles, agindo numa suposta defesa dos advogados desrespeitados por Sérgio Moro, saíram em protesto do recinto contra o fato de o magistrado ter sido convidado a falar. Um gesto de protesto é válido, mesmo quando se mostre mal educado. É que muita gente gostaria de ir bem além do protesto, como se vê no dia a dia da Lava Jato. No Mãos Limpas da Itália, houve mortes e atentados e até aqui em nosso caso há pelo menos essa aparência de civilidade na qual os protestos têm sentido crítico e, por isso, aceitáveis, afinal mesmo que apoiada pela maioria da população a ação judicial não se confunde com um auto de fé que condenaria seus adversários à fogueira.

Binário polêmico
Rafael Greca anuncia para terça-feira (28), a inauguração do binário Mateus Leme-Nilo Peçanha e tudo sob uma chuva torrencial de críticas de urbanistas e especialistas da área na observação de que se concedeu o monopólio ao automóvel desconsiderando-se outras variáveis de mobilidade. Como se já não bastasse a bronca pela instalação do hipermercado Angeloni no Bom Retiro com prejuízo ao bosque remanescente que lá existe com fonte de água e vida selvagem. Essa campanha, a da preservação desse exemplar de área verde, deverá ganhar força nos próximos dias.

Na Vila
O que se viu, ontem, de euforia na Vila Capanema poderia estar sendo vivido em Londrina pelo Tubarão na aquisição de ingressos para o último compromisso do Paraná na Série B, agora no Estádio Couto Pereira. Alguns pontos perdidos pelo Londrina, inclusive em casa, o afastaram dessa possibilidade, além dos pecados capitais cometidos como o da baixa presença de público. De qualquer forma, pela segunda vez seguida, o Tubarão se aproxima do feito, valendo o esforço para garantir a quinta posição e isso depois de ganhar com todos os méritos mais um titulo nacional com a segunda liga.

Pela reforma
A vice-governadora Cida Borghetti esteve em Brasília com os governadores em reunião com Michel Temer e veio entusiasmadíssima com as reformas, especialmente a previdenciária. Participou assim do que se chamou de "última cartada" presidencial nas mobilizações de ontem que visaram arredondar, o quanto possível, a mudança previdenciária, em que pese a dificuldade de obter a maioria de votos necessária.
Se a reforma pegar Cida, poderia agitar essa bandeira, já que Beto Richa ao não comparecer à concentração em Brasília teria sinalizado posição contrária até porque defende o desembarque do PSDB do governo, no que pelo menos sai do muro.

Devolução
A decisão do ministro Levandowski que devolveu à PGR a delação premiada do marqueteiro Renato Pereira já tinha decisão de plenário do STF em junho e concluíra, por 8 votos a 3, que o poder do juiz de interferir no mérito de acordo entre MP e acusado tem limites. É verdade que um dos votos contrários foi do Levandowski, mas isso acentuaria carência de segurança jurídica. O respeito à colegialidade o obrigaria à resignação pelo voto vencido, conforme alusão do jornalista Hélio Schwartsman.

Folclore
Uma apreciação curiosa ontem mostrava que os governadores do Rio de Janeiro da democratização para cá ou estão mortos, presos ou processados. É que numa tacada só ontem o Garotinho e a sua mulher Rosinha acabaram em cana e há os sob processo como Moreira Franco e o Pezão. No caso "Garotinho-Garotinha" não há lesão ao ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) até porque se habituaram à ida e à volta.

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