LUIZ GERALDO MAZZA
Decisão complicada
Atos políticos sempre são mal recebidos pela ala tecnocrática das empresas públicas: quando se decidiu a aquisição das ações do Sercomtel pela Copel em meio a uma campanha eleitoral o setor deve ter oposto restrições. Agora, com a ameaça que ronda a empresa municipal, de que é sócia minoritária, de mutilar o seu raio de ação, há pressão, justa e compreensível, das lideranças londrinenses pela preservação mesmo que implique em pesado investimento, talvez mais apropriado à Copel do que ao governo mergulhado em crise e que esse acordo trabalhista de R$ 550 milhões para 33 mil trabalhadores da educação é pequena amostra.
Em saia justa, até porque Beto Richa não tem sido generoso com Londrina, e às vezes por via oblíqua, privilegiando Curitiba e Maringá em benefícios fiscais para investimentos no chamado "Paraná Competitivo" , deve encontrar resistência do comando da Copel para algo que fuja da razoabilidade e mostra com sua crítica à gestão da telefônica um sinal de obstáculo à sua intervenção com um tipo de franqueza que evidentemente se choca face ao emocionalismo da demanda. A existência da telefônica é um dos fundamentos mais fortes para fomento à tecnologia da informação e ao uso sistemático da Inteligência como alternativa estratégica para o desenvolvimento do segundo polo urbano do Paraná.
Trata-se de uma decisão sofrida, mas com o empenho social da pressão e o risco histórico de aparecer como responsável por um fato danoso, e isso pouco antes de deixar o posto para o qual foi eleito e habilitar-se a outro como senador na sequência da carreira política, é , antes de tudo, um exercício de coragem, tido, porém pelos outros, como suicídio e tiro no pé. Tanto a Copel como o Sercomtel estão sujeitas a órgãos reguladores que volta e meia lhe aplicam sanções.
Vendaval
Primeiros sinais do vento forte, ontem à tarde, na capital geraram problemas com queda de galhos de árvores entre as ruas Vicente Machado e Desembargador Costa Carvalho , havendo o temor de que tivéssemos na sequência vendavais como os que atingiram o Rio Grande do Sul, superiores a 100 km horários.
Feminicídio
A lei que tratou dos crimes de violência contra a mulher é de 2015 e o Ministério Público do Paraná assinala que, de lá para cá, tivemos nada menos de 407 casos, balanço pesadíssimo.
Pirro
A vantagem de Michel Temer em torno das denúncias é olhada como "vitória de Pirro" pelo estrago produzido nos desgastes gerais e a visão antecipada, pelos números em plenário, que o governo não tem lastro para ações mais ousadas como a da reforma previdenciária. Tanto é verdade que há em andamento a negociação em torno de uma alternativa liofilizada que quebra o galho imediato do governo, mas de pouca repercussão em termos fiscais, distante das pretensões do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, como condição primária para a retomada do desenvolvimento.
Modismo
O fake news é a onda da moda como se viu no caso do vereador ponta-grossense envolvido numa delas sobre Pabllo Vittar e agora, em Curitiba, uma dessas especulações pela internet sugere que uma nova tecnologia estaria sendo usada para flagrar motoristas ao celular e sem o cinto. Foi tão intensa a pregação do boato que a Diretran se viu impelida a vir a público para negar o acontecimento tão badalado e com insistência um tanto quanto terrorista.
Suspensão
Justiça suspendeu o bloqueio de bens dos irmãos Batista da JBS. Decisões judiciais indicam também perdas substanciais no ciclo punitivo como se já não bastassem as de traço político ante a ofensiva dos políticos, cuja maioria é investigada. Há, no entanto, um dado positivo: a data de ontem marcou um ano da prisão do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, um dos primeiros da linha sucessória e comandante da operação que derrubou a presidente Dilma Rousseff no impeachment. A decisão do STF que o atingiu foi por unanimidade, posto que agora no caso Aécio Neves se entendeu que restrições em nome de medidas cautelares que afetassem o mandato poderia ser revista pela respectiva casa do Congresso. Como se percebe o quadro está mudando e também o entendimento judicial.
O botão
O botão do pânico opera com uma central das empresas de ônibus e agora os vereadores da capital querem que o sistema também leve informação para uma unidade de segurança policial em favor de motoristas, cobradores e passageiros. O pior é que os assaltos e arrastões seguem com a maior naturalidade.
Onda reacionária
O ex-ministro Rubens Ricupero, com vasto domínio do mundo diplomático e comércio internacional, está alertando que as regras do trabalho escravo, baixadas pelo governo e contestadas pelo Ministério Público de um modo geral, podem prejudicar exportações. Já levamos algumas pancadas por abusos como o da devastação florestal da Amazônia.
Folclore
Onde está o lado pop tão decantado nos anúncios globais enaltecendo o agronegócio nesse sutilíssimo apoio, em decreto ministerial, que facilita uma ofensiva escravocrata já evidenciada no despencar dos números de resgate de trabalhadores em 2017? O Brasil desdenha a linha radical quanto ao tema por parte da União Europeia.





