Conflito necessário
Ainda que a procuradora Raquel Dodge entenda que o convívio intrapoderes em harmonia é condição primordial para a estabilidade (essa, na verdade, é o argumento alarme do governo acuado), nunca tivemos um ciclo tão rico em inovações justamente com os choques entre os poderes, na verdade, Executivo e Legislativo unidos e Judiciário, pela primeira vez, disposto a encarar a endemia da corrupção. Dias atrás, o parlamento italiano, em lei, identificou o fenômeno da corrupção com as ações mafiosas. Pelo menos no caso brasileiro, é visível tal simetria, como se vê no bojo das denúncias mais recentes e na linha geral que se observou do Mensalão à Lava Jato e nas alusões do quadrilhão do PMDB.

E isso tanto é verdade que se pretende o uso das medidas do STF, por maioria, contra o senador Aécio Neves como mais do que um jogo de braço de ferro pela Câmara Alta e até uma oportunidade de um golpe na ação judicial que hoje atinge grande parte dos integrantes das duas casas do parlamento. Fala-se desse conflito como se aflorasse agora e não no ciclo que precede o impeachment de Dilma Rousseff, o afastamento de Delcídio do Amaral e restrições a Renan Calheiros como chefe do Senado e Eduardo Cunha como o dono da Câmara. A ordem de resistência ao STF é até agora o brado mais forte desse confronto e é claro, se não houver, como sempre, a mediação dos diplomatas, teremos mais do que um atrito.

Até aqui os cuidados com o trato ritualístico das denúncias da Procuradoria da República reproduzem a situação da primeira, formalmente rejeitada, como de resto isso também se deu com o impeachment, recurso extremo e traumático, embora com cenas desconcertantes como a de não haver a perda dos direitos políticos da presidente afastada, colher de chá em meio à dose letal. O dado conflitual é indispensável, portanto, e não ameaça ao caos financeiro, moral e administrativo que vivemos, essencialmente uma antinomia à noção de estabilidade.

Futebol mágico
De repente, o Paraná Clube, com médias inferiores a 10 mil pagantes por jogo, ameaça bater o recorde de público do próprio Atlético Paranaense na Arena da Baixada com um público de 40 mil no confronto contra o Internacional. Estar entre os três primeiros da Série B levou a torcida à euforia como nos seus maiores momentos históricos. Formou-se fila para comprar ingressos no Durival de Brito. É a segunda vez que um empresário compra o espetáculo assumindo todos os riscos. A primeira foi no Couto Pereira e também gerou lucro.

Umuarama
Os episódios violentos de Umuarama por causa da morte da menina Tábata - invasão e depredação da delegacia, queima de veículos, seguida de motim dos detentos com o povo irado querendo linchar o criminoso - lembram em tudo o ocorrido nos anos setenta em Cornélio Procópio embora com mais mortes. O caso de Cornélio Procópio foi uma tentativa de linchamento contra um estuprador de menor respondida a tiros pela guarnição militar e, além dos mortos no conflito, também perdeu a vida o dirigente político, deputado Nilson Batista Ribas, que sofreu enfarte ao se aproximar da área conflagrada.

Há condições psicológicas neste momento no Brasil apropriadas a essas manifestações em função da violência e da impotência da autoridade para contê-la. No caso de Umuarama, o delegado geral promete extremo rigor nas apurações de tudo para enquadramento criminal e reposição das perdas materiais das instalações policiais.

Gaeco em ação
Um delegado de polícia de Almirante Tamandaré e escrivães foram presos ontem numa operação do Gaeco acusados de recebimento de propinas por emissão de alvarás. Por sinal que, na Quadro Negro há um novo empresário delator e que reafirmou que entregava a grana para Maurício Fanini sem saber quem era o destinatário final.

Alta nas hortaliças
Pessoal técnico da Ceasa prevê alta acentuada no preço das hortaliças em função da longa estiagem. Perda na lavoura também é expressiva. De repente, essa inflação baixa – agitada pela alta dos preços controlados como o dos combustíveis - sai do rumo e esse fator de equilíbrio que tanto favorece o governo na economia é degradado. Seria um fator negativo em meio aos bons sinais de melhora como os ganhos com as vendas das usinas da Cemig por R$ 12 bi, 9,7% acima do esperado e mais R$ 3,8 bi em certames de blocos de petróleo. Contribuição séria para melhorar a situação fiscal opressiva.

Oito meses
Entre receita e despesa dos dois quadrimestres, o governo estadual diz haver superavit de pouco mais de R$ 2 bi. Só da Paranaprevidência em oito meses foram sacados R$ 1,2 bi.

Câmbio
Polícia e Receita Federal, em Foz do Iguaçu, em ação contra casas de câmbio cujas operações não eram comunicadas ao Banco Central.

Folclore
Se os malfeitos que estamos vivendo demorarem para julgamento como os do período Lerner-Taniguchi, só em 2034 saberemos o resultado da Quadro Negro e Publicano.

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