Uma efabulação
Dos últimos projetos que completam o ajuste fiscal regional –o que mexe com a PM e reaproveita inativos e outras economias -, a previsão era de um ganho de R$ 200 milhões. Agora, só com a anistia do IPVA se perde R$ 223 milhões, algo que afinal lembra as fábulas educativas, especialmente, a do cão que roubou um pedaço de carne e atravessava o rio e, ao ver refletida nas águas sua imagem, quis se atracar no alimento virtual e o perdeu.

Embora o governo tente dar ao ajuste um sentido miraculoso, o melhor do Brasil, na verdade o que houve, como já disse, foi aqui malandragem de parque: sacaram R$ 2 bi anuais do fundo de pensão e, o pior, as despesas continuaram em progressão geométrica e a receita em escala aritmética. Inclusive com o varejo das ações municipalistas, partilha de recursos antes avaros agora mais à vontade, é muito conveniente para a campanha senatorial do governador o que já reflete nas pesquisas de sua credibilidade com melhoras substanciais.

Esse caso específico faz o contribuinte zeloso julgar-se um pateta, desses que espatifa sorvete na testa, e aí pode levá-lo pelo inconformismo e a revolta deixar de votar no atarantado gestor fazendário que descobre, como Pedro Bó, que a cobrança do tributo é maior que a receita.

IPTU
Se Gustavo Fruet não tivesse alterado a planta de valores imobiliários, a situação de Rafael Greca seria bem pior. Londrina, diante do gargalo fiscal depois de uma década, decidiu mexer no IPTU e obviamente houve reações, inclusive em função da crise do mercado imobiliário que só em agosto, segundo o Caged, perdeu 1.500 vagas no Paraná. A medida aprovada pela maioria dos vereadores aumenta o tributo para 98% dos imóveis (impacto gravíssimo com o segmento empresarial está afirmando) da cidade. O pior é que há uma corrida contra o relógio para o deficit fiscal ser superado.

Alerta confuso
Um alerta, dado em nome da Defesa Civil, indicava a possibilidade de chuva ácida na capital, o que com o desmentido gerou maior confusão. A ameaça de chuva ácida foi usada pelos ambientalistas como um risco quando se tentou um projeto de usina de gás em Paranaguá, fazendo uso do lixo com metodologia chilena. A retenção de material tóxico na atmosfera seria devolvida em forma de chuva ácida.

Afinal, não há motivo para pânico num povo que conta com governos hábeis na produção de calamidades, dentre elas a maior de todas a corrupção.

Feminismo
Ontem, uma loucura em Curitiba nas redes sociais por causa de um professor de cursinho de Direito que afirmou, repetindo a sentença de Nelson Rodrigues, que mulher gosta de apanhar, reprodução daquele saque gauchesco sobre mulher de brigadiano. Repercussão maior do que o caso da cura gay, o alarido levou o acusado a explicar que fazia um exercício de humor e não de desamor. Afirmações como essas eram assimiladas mesmo depois do movimento das sufragistas que brigavam pelo direito ao voto e isso muito antes da queima dos sutiãs. Um desses arquétipos, muito comuns, era o da coreografia da mulher do apache levando paulada o tempo todo. Outra heresia do professor foi atacar a Lei Maria da Penha, esquecendo que o diploma legal exalta, antes de tudo, a mártir da causa.

Dourando a pílula
O governo insiste na peça de marketing de que livrou o Paraná do caos fiscal e aponta a queda das despesas (que, a despeito de tudo, continuam se movendo como sugeria Galileu) no segundo quadrimestre do exercício como prova disso. O governo não pode realizar concursos públicos e nomear por falta de recursos e enfrenta, a médio e curto prazos, um descarte para aposentadorias de cerca de 20% a 30% de algumas categorias. Entre as medidas nada ortodoxas que vinham sendo usadas para dificultar e impedir aposentadorias estava a de criar óbices para o acerto das progressões no nível 11. Atomização de recursos aos municípios expõe a ausência de qualquer planejamento, há muito tempo banido do setor público estadual. Ainda ontem com a ida do secretário da Fazenda à Assembleia, apesar do vexame do perdão dos débitos do IPVA, quando se descobriu que a cobrança dos débitos era antieconômica, viu-se a insistência na fantasia de que somos a melhor situação fiscal do Brasil, o que está longe de ser verdadeiro.

Que não sai da areia movediça está na persistência de quase um meio orçamento na dívida ativa e que resiste aos planos sucessivos de refinanciamento fiscal, enquanto se hipertrofia o que há de débitos, em bilhões, nos precatórios.

Folclore
O sindicato trabalhista do transporte coletivo, o Sindimoc, pleiteia uma especializada para tratar da área como se os eventos no interior dos ônibus, por sua variedade, já não alcançassem unidades da furtos e roubos, homicídios, costumes. É claro que ela não investigaria os delitos das empresas e dos acertos com os empregados em greves que não passam de locautes empresariais, como o Ministério Público do Trabalho vem acusando e com provas robustas.

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