LUIZ GERALDO MAZZA
Richa adeja
Sondagem da Paraná Pesquisa, feita dias antes das delações da Quadro Negro, a pedido da Fiep, revela que o nosso governador tem 38% de aprovação num universo de 2.500 pessoas em 91 cidades. Todavia, 46,9% acham o seu desempenho pior do que esperavam. Assim mesmo, se trata da melhor performance de 2015 para cá.
Mesmo com sua atuação assistencialista no interior, no objetivo mediato da campanha senatorial, houve um salto de 17 pontos para 38 e na Grande Curitiba saiu de 71 negativos para 68, melhora de três pontos. Recuperação lenta que não garante ser gradual, pois daqui para a frente é que vão esquentar os informes dos desvios escolares e como se deu a drenagem desses recursos para a campanha da reeleição, tal qual se dá na roubalheira da gangue fiscal, já sob apreciação do STJ.
A tentativa de desqualificar a denúncia já homologada se dá em vários planos e, anteontem, o líder Romanelli buscou, em discurso na Assembleia, atribuir os feitos, quase no estilo do Carlos Marum, defensor ontem de Eduardo Cunha, agora de Michel Temer, esquecendo que ninguém acusa o governador de ser desidioso nos episódios, mas de ter recebido grana, daí desviada, na campanha eleitoral e contar, isso sim, com amigos íntimos envolvidos, inclusive o principal, Maurício Fanini, com quem viajou para o exterior com as respectivas esposas, o que é sinal de aproximação maior do que a existente com Marcio Albuquerque Lima, suposto chefão da quadrilha fiscal, com quem fazia exercícios automobilísticos, já condenado em primeiro grau a mais de 80 anos de prisão na Publicano.
As aparências e seus rituais é que implicam o governador a quem não se pode considerar de minimamente seletivo nas relações pessoais. E até quando age por solidariedade, como no caso do Ezequias, induz à presunção de mais comprometimento do que fraternidade.
Bilhetagem
Tende-se nas cidades mais importantes do país ao sistema da bilhetagem eletrônica no transporte coletivo que reduziria drasticamente a circulação de dinheiro e baixando a incidência de assaltos. Não impediria a ação dos pula-catracas com cerca de 4 mil diários, segundo levantamentos e muito menos dos abusos sexuais e batedores de carteiras no interior dos veículos, o que mostra a necessidade de um exame menos superficial do problema que também não se resolve com a solução Greco-curitibana de evitar que o passageiro dê bandeira para os marginais.
Bilhetagem já foi tema de racha entre empresas metropolitanas e as urbanas, percebendo-se que há aí disputas severas de mercado. Por sinal que, é apenas uma das muitas emulações que afetam a caixa preta da área. Numa só estação-tubo, a da Vila Fani, na Linha Verde, houve uma alta de 400% na ação dos pula-catracas. Além de tudo, a bilhetagem baixa custo com a supressão do cobrador, o que é claro não interessa ao Sindimoc que levantou, repetindo os colegas de São Paulo, a tese da dupla função que queriam impor nos micro-ônibus.
Julgamentos
"Nosce te ipsum", conhece-te a ti mesmo, é algo aplicável à vereadora Katia Ditrich que queria anular o título de cidadania honorária atribuído ao ex-ministro Paulo Bernardo, alvo da Lava Jato. O projeto não vai tramitar pelo entendimento de que só seria possível essa medida depois da condenação o que pode sair bem depois do ocorrido com o caso ético da vereadora que rachou salários dos seus assessores.
Açodamento
O ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, está festejando precipitadamente o fim da recessão com os sinais positivos da Bolsa, o aumento significativo da Receita Federal em quase 11%, aumentos sucessivos da produção industrial e do consumo. Essa pelo menos a posição de economistas mais cautelosos que não subestimam o deficit fiscal e não enxergam ainda uma sequência de eventos que indique efetiva reversão do processo.
A recuperação da economia é melhor do que à do ibope de Beto Richa, mas em nenhum caso se justifica celebração.
Ciclo punitivo
Vivemos um ciclo punitivo: a pena de 45 anos a Sergio Cabral pelo juiz da Lava Jato, Marcelo Bretas, do Rio, dá perfeitamente a medida do problema. Em Curitiba, Sérgio Moro sentenciou o ex-governador carioca a 14 anos. Penas do juiz Juliano Nanuncio, de Londrina, também são elevadas como a de Marcio Albuquerque Lima, apontado como chefe da gangue de fiscais.
É um momento difícil para advocacia criminal e se viu isso, lá atrás no mensalão, quando o maior dos advogados da área, Marcio Tomas Bastos, "The God", também soçobrou. Há uma nova geração de juízes, promotores e delegados de Polícia e parece que entramos numa era de resistência concreta à impunidade. Isso caminha em simetria aos desejos da sociedade brasileira tão abastardada pela impunidade. Não se deve subestimar as resistências a tudo isso, como se vê na CPI da JBS e como se percebeu nas anteriores, inclusive aquela da Petrobras que foi arquivada em troca de propina elevada ao presidente nacional do PSDB.
Folclore
Não importa que o ibope não signifique um voo de águia, pois quando a escassez é grande até o de saracura ou de galinha deve ser comemorado.





