Escorregão da Lava Jato
Em meio a uma série de fatores negativos e de críticas a seu andamento, a Lava Jato sofre com a ameaça de anulação dos depoimentos da JBS o maior risco até hoje daquilo que a canalha da corrupção deste país sempre quis: melar de vez. Que houve açodamento não se pode negar e a pulsão do Ministério Público para acusar e punir acabou em trombadas com as ações do ex-braço direito de Rodrigo Janot, Marcelo Miller, cujo passe foi adquirido pela J&F, que envolvem agentes da Procuradoria e até do STF em gravação entre Joesley Batista e o ex-diretor Ricardo Saud. Ontem, em algumas publicações foram referidos, dentre os citados, pelo menos três ministros do Supremo e elementos da Procuradoria.

Havia essa torcida pela maioria dos políticos, tanto os do PT como da turma de Michel Temer, pelo menos nessa causa em irmandade, para que houvesse incidente no sentido de aprofundar o desgaste da operação judicial e, se possível, que partisse de erros dos magistrados Sérgio Moro e Marcelo Bretas. Para compensar esse evento, tivemos no Rio o enquadramento do pessoal das Olimpíadas nas quais o Brasil é acusado por investigações externas de ter comprado, obra do time de Sérgio Cabral, a sede dos Jogos, celebrada com euforia por nossos delegados e o ex-presidente Lula. Até o presidente do Comitê Olímpico, Carlos Arthur Nuzman, foi alvo de condução coercitiva.

A imunidade penal a Joesley, que era a mais duramente criticada, face à gravidade dos crimes que praticara, poderá ser anulada, ainda que não invalide as provas até aqui oferecidas. É um baque forte que pode ser minorado com explicações dos executivos da JBS, todavia, persiste como o mais grave acidente de percurso de todo o processo

O pior
Entre os estudiosos da cena política paranaense dois temas: a delação da Valor é pior do que o massacre de abril, como se a amnésia quanto aquele estivesse em operação; e a alternativa de abrir-se para uma CPI, empenho da diminuta oposição e de "independentes", como meio de defesa diante das vantagens da maioria e do nível de convicção da inocência do governo.

O desgaste da delação é maior do que a violência massiva porque a responsabilidade de Beto Richa, já recusada pela Justiça, não está afinal tão exposta como na delação e alcançando a intimidade do governo. Como o governador lá atrás havia negado a amizade com o cinegrafista Marcelo Caramori, que tinha a imagem do amigo tatuada no próprio corpo, agora também o faz com relação a Maurício Fanini que era, mas não é mais seu parceiro. Essas especulações são espinhosas como a do companheiro de automobilismo Marcio Albuquerque já condenado em primeira instância a mais de 90 anos de prisão como chefe da gangue fiscal da Publicano.

Relações de amizade sempre foram um dos fatores que atingem lideranças políticas: gente que queria bem Getúlio Vargas, a sua guarda pessoal comandada por Gregório Fortunato, resolveu agir contra Carlos Lacerda e matou o major Rubens Vaz, o que era visto como uma ordem do presidente que nada tinha a ver com a conspiração. De qualquer jeito, era presumida como se dá com o nosso governador que paga por causa do aforismo popular: "Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és", axioma fortemente preconceituoso, e que sobrepõe aparências como expressão da realidade, um silogismo de alto risco.

Vídeo
A concessionária Autopista Litoral Sul expôs um vídeo altamente didático mostrando um caminhão utilizando a área de escape em função de ter havido falha nos freios. Foi o suficiente para lembrar a promessa até agora não cumprida pela Ecovia nas tragédias da BR-277 mormente a de Balsa Nova pelo número de veículos envolvidos e de mortes.

Mais um
Geddel Vieira Lima já comprometeu, quando ministro, o governo Temer ao tentar convencer o ministro da Cultura a intervir num interesse imobiliário em área tomada em Salvador, e agora aumenta o acervo contra o PMDB e seu grupo dominante com a descoberta pela Polícia Federal de grande quantidade de dinheiro num bunker de sua propriedade na Bahia. A medida de busca e apreensão na operação chamada "tesouro perdido" é mais um documento forte contra a genérica acusação que se pretende contra quem chamam de quadrilha do PMDB.

Palestras
Mais complicado do que palestras, pagas ou não, para magistrados e membros do Ministério Público é a presença em congressos promovidos por bancos interessados em demandas como a dos planos econômicos quanto à poupança e outros valores e a de médicos em certames de laboratórios farmacêuticos. Isso permeia todas as profissões. Por isso, vejo tudo na perspectiva de uma ética geral porque a profissional é fortemente amparada nos desvios menores. tidos como veniais. Lembra em Direito a doutrina dos anéis sobrepostos: o maior é a moral, o menor o direito. A moral é mais abrangente como a ética geral. O direito, na teoria dos anéis, é o mínimo ético. O máximo ético seria o que o Dalagnol pensa na área criminal.

Folclore
Vereadores de oposição em Curitiba procuraram o Ministério Público de Contas para tentar uma investigação sobre consequências legais da terceirização aprovada nas áreas de saúde e de educação, tidas como incompatíveis com sua finalidade pública. O quixotismo sempre é bem intencionado.

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