LUIZ GERALDO MAZZA
A vez do tucanato
Afinal, após tanta resistência, o PSDB chega nos tribunais, posto que os olhos judiciais estivessem mais voltados para o PT e a base aliada quando das revelações do mensalão, ainda que fosse notória a precedência da tramoia em Minas Gerais na campanha de Eduardo Azeredo. Condenado na primeira instância foi agora também julgado pelo Tribunal de Justiça estadual. Não se pode dizer que o partido seja inexpugnável, mas a dificuldade em montar processo sobre o metrô e trens em São Paulo, em andamento até no exterior atingindo empresas de porte, é algo estranhável ainda mais num país que rompe a barragem da impunidade com os feitos da Lava Jato.
Agora um delator, o empresário Adir Assad, após celebração de acordo, promete exibir extratos com esquema para pagamento de propinas por empreiteiras em obras do PSDB em São Paulo. Quando do impedimento provisório no exercício do mandato do senador Aécio Neves já se captava uma sinalização que tirava do PT e sua linha auxiliar a condição de bode expiatório exclusivo como se alegava. Pelo menos equilibrava as coisas no plano acusatório.
O fato é que a classe política em peso, em função do material coligido, só pode ser olhada pelo ângulo da suspeição. Beneficiários de tantos chunchos, muitos deles que chegaram à candidatura presidencial, estão ora despojados da aura de sobriedade que os beneficiou e nivelados no lamaçal que afunda o Brasil.
Turma do ônibus
Para quem domina bastidores da cena política, não surpreende o enquadramento na Lava Jato dos megaempresários do transporte público no Rio de Janeiro. Algumas incursões do Ministério Público, através do Gaeco, em várias unidades federativas, captou as formas pouco ortodoxas de orientar licitações. Uma delação premiada de advogado do setor parecia indicar detalhes dessa atuação em Curitiba, mas as que ganharam força se deram em Maringá, Foz do Iguaçu e Guarapuava. Agora há uma referência expressa a empresários do transporte público do Paraná em meio à delação contra o casal Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo na Operação Custo Brasil (aquela que trata de empréstimos consignados no Ministério do Planejamento), feita pelo administrador Marcelo Maram. Ainda que o foco principal da delação seja o caso dos desvios em empréstimos consignados (inicialmente a cargo de Sérgio Moro em Curitiba) o delator discorreu, com detalhamentos, sobre a corrupção envolvendo empresas de transporte público do Paraná.
Em que pese o fato de o Tribunal de Contas ter pleiteado formalmente e por unanimidade a baixa da tarifa em Curitiba, bloqueada por decisão judicial, aquela Corte já havia tocado uma auditagem que devassava o sistema, isso sem levar em conta uma CPI da Câmara Municipal que evidenciou distorções nas relações entre o poder concedente e as permissionárias.
No momento há um jogo de braço entre taxistas e a Urbs na chamada campanha do transporte solidário que, pelo jeito, visa concorrer com o sistema de ônibus na base do lotação de táxis em linhas regulares, ainda que a preço per capita superior à tarifa. Segundo operadores da campanha, ela contaria com pelo menos 500 táxis fazendo lotação, uma forma de combater o decreto que legalizou os aplicativos Uber e Cabify. Se exigissem a cobrança do emplacamento de Curitiba, prevista, o resultado seria mais eficiente.
Bendine denunciado
O ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldenir Bendine teve a sua denúncia aceita ontem pelo juiz Sérgio Moro. Matéria de prova exuberante e surpreendente na ousadia do autor que em pleno andamento da Lava Jato fez a propositura da propina de R$ 3 milhões. O desdobramento de várias fases da operação mostra que o rumo dos acontecimentos se dá quase como resposta de algumas perdas da Lava Jato e eventuais questionamentos negativos. A retomada de questões invocadas anteriormente e decorrentes da prisão e soltura de Cândido Vaccarezza acabou alcançando o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz do Tribunal de Contas da União, acusado de haver recebido US$ 20 mil em comissões pela contratação da Sargeant Marine em contas de off-shore na Suíça, relato do lobista Jorge Luz, que está preso em Curitiba.
Tornozeleira
Apesar da piada de que a revelação da tornozeleira eletrônica é um descuido como o da braguilha aberta do passado, a turma que a utiliza busca anulá-la e ontem houve operação policial em 18 casos, dos quais 16 foram presos para as devidas explicações.
Mais um
Agora, além da vereadora Katia Dietrich, já notificada desde anteontem pela Corregedoria da Câmara Municipal de Curitiba de haver "rachado" salários de assessores, quem pediu para ser avaliado no mesmo tema foi o vereador Tiago Ferro. Como é rara a denúncia dessa feita a frequência aumentou.
Folclore
A família Queirolo ficou tanto tempo assentada em Curitiba com sua trupe circense que a cidade se divertia com os seriados, imitando filmes, em que Chic Chic era o herói. Mal entrava em cena, o público o apupava chamando-o de careca e ele com movimento labial replicava "careca é a mãe". E o público se rolava de rir.





