Lava Jato no pacote
Em andamento, por via legislativa e ajuste político, a aspiração maior da classe: o distritão para garantir a reeleição e consolidar a proteção a Michel Temer e suas reformas e, sobretudo, garantir-se com o fim da Lava Jato com respaldo nos Três Poderes. Vive-se, por isso, um momento de euforia com as vitórias que já ocorreram e as que virão em função desse tipo de consertação em linha oposta à opinião pública. E já se habituaram tanto a desprezar os indicadores das pesquisas que acham até que o lado heroico não é dos que lutam contra a corrupção e sim justamente o dos indiciados e enquadrados, vítimas da criminalização política.

É claro, portanto, que as coisas não pararam no arquivamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República e os próximos passos se voltarão para a reforma da Previdência, com o que restabelece a confiança do empresariado, o arranjo do distritão e suas sequelas. Todavia, a arregimentação maior se dará contra a investida de Rodrigo Janot com novas representações criminais.

Do lado da Lava Jato, sinais cada vez mais fortes de desagregação na intensidade dos conflitos entre procuradores e delegados, desmantelamento das equipes, isso sem falar no auge da campanha de fundo doutrinário, dentre elas uma antologia de criminalistas de condenação à sentença de Sérgio Moro imposta a Lula, isso sem falar no "julgamento" internacional do magistrado como se não fossem suficientes os sinais de divisionismo no próprio STF em decisões bem recentes. Aquilo que o ministro Luis Barroso colocou está em acelerada marcha: uma operação abafa, agora com bases nos Três Poderes, dos quais o mais interessado é, como sempre foi, o Executivo.

Já houve momento em que soava como herético, tal a esperança que despertou, qualquer tipo de restrição à Lava Jato, mas com o tempo e algumas das suas distorções - a tonalidade forte do Ministério Público com sinais de arbítrio, o afloramento de contradições e de conflitos internos, notadamente os transbordamentos das concessões aos delatores da JBS - minaram os fundamentos de sua credibilidade, isso sem falar da sua exposição ao estresse e à fadiga do material.

Fujômetro
A Associação Comercial do Paraná tem o impostômetro e a Associação dos Delegados de Carreira conta com o fujômetro que registra o número de fugas de presos dos distritos e da penitenciária. Trata-se da maior deficiência profissional da categoria pelo fato de imobilizar a polícia com essa tarefa inapropriada de guardismo. O sindicato chegou a promover greve em cima do tema que foi considerada ilegal pelo Judiciário. Depois dos professores (leia-se APP), é o segmento mais articulado do funcionalismo e que faz restrições ao pacote fiscal do governo mormente em questões de serviço público.

Só neste ano há o registro de quase mil fugas, apenas nos distritos. De outro lado, a falência do Estado impede o andamento das obras, pois dos 14 novos presídios anunciados há apenas um em processo. Governo quebrou: se bate para evitar aposentadorias, como faz com a PM, não paga licença prêmio e quer mexer nas gratificações. Isso sem falar que congelou salários.

Nêgo Pessôa
O jornalismo e a cultura paranaense perderam ontem uma das suas mais fortes expressões na morte do escritor e crítico Carlos Alberto Pessôa. De Irati, como a internacional Denise Stockos e vanguardeiro como o poeta Foed Castro Chama, também da mesma origem, militou na imprensa, rádio e televisão com estilo personalíssimo e polêmico, deixando várias obras. Velório na capela 3 do Cemitério Municipal e ritual às 9 horas de hoje no Crematório Perpétuo Socorro em Campo Largo.

Pânico
Um início de pânico ontem com a notícia de uma bomba nas instalações ferroviárias da Rumo, sucessora da ALL, que obrigou o deslocamento de seus 1.600 funcionários, antes de captarem que se tratava de alarme falso.

Queda
Segundo a Fecomércio, os números do varejo no Paraná continuam negativos e acumulam a expressiva queda de 2,74% no primeiro semestre. Está aí a pedra de toque da perspectiva de reversão: situação do mercado é contida pela elevadíssima dívida das famílias e só teremos indicador melhor com a volta do consumo.

Ganhadores somem
Não é a primeira vez que isso acontece: ganhador de um milhão em sorteio de Natal em Campo Largo até agora não apareceu para receber e isso produziu o maior reboliço na cidade à procura dos números e também do sorteado. O da Sena, sorteada em Curitiba, de R$ 57 milhões se mantém discreto.

Folclore
Câmara Municipal de Curitiba aprovou a participação da iniciativa privada na manutenção e conservação das escolas municipais em troca de publicidade desde que não ligada ao álcool e ao fumo. Já temos a doação de praças, jardinetes, ginásios municipais. É o que dá a quebra fiscal: nem prisão, nem escola que supostamente a previne.

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