LUIZ GERALDO MAZZA
Aposta na inteligência
Embora a perspectiva industrial tenha sido a dominante nos anos 60-70 para Londrina ao tempo das reflexões do Codem (Conselho de Desenvolvimento Municipal), na visão geral que estudiosos faziam em trabalhos do Badep (Banco de Desenvolvimento Econômico do Paraná), consolida-se hoje a noção de que a vocação do município deve priorizar, por todos os motivos, o setor terciário, de serviços e dentre eles fixar seus esforços em inteligência, em variáveis da tecnologia.
A notícia de que Londrina, concorrendo inclusive com as três capitais do Sul, foi escolhida para sediar escritório do Centro de Tecnologia da Informação, órgão da administra direta da União, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações é estímulo de primeira linha para adensar o foco no setor terciário. O que favoreceu a cidade foi a existência de um Arranjo Produtivo Local de Tecnologia da Informação, o que já evidencia a maturidade dos que lutam por um novo posicionamento estratégico do segundo polo urbano do Paraná.
O fato é que os últimos indicadores relativos à economia regional mostram avanços de polos menores na industrialização como Maringá, Cascavel e Ponta Grossa, essa beneficiada pela existência de um eixo que a aproxima da capital. O pior é que o governo se tornou leigo, e isso há muito tempo, em termos de planejamento, não mais fazendo estudos sistemáticos sobre a realidade paranaense e fixar projetos e metas para remover seus pontos de estrangulamento.
Hoje, entidades privadas como as federações em cada segmento se ocupam mais do que o governo na preocupação de prever para prover, mas tudo exige a persistente atuação do conjunto da sociedade com uma visão localista que se insira num projeto estadual. Foi o que se deu neste caso dessa conquista e que não exclui outras áreas, inclusive a industrial, naquilo que atender demandas da sua comunidade. Pensar a cidade com uma visão paranaense é impositiva e hoje pouco se fala nisso porque o Paraná abriu mão do indutor básico que era a área de planejamento.
Bendine no CMP
Por determinação do juiz Sérgio Moro, o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine deixou a carceragem da Polícia Federal pelo Complexo Médico Penal de Pinhais. Há uma reivindicação da defesa pela reversão da medida em função da saúde da filha do indiciado que poderia agravar-se com a transferência.
Argumentos burocráticos, como os que certamente moveram o pleito da Polícia Federal, não elidem esses de natureza emocional.
Vizinhança
Há uma caricatura sobre os curitibanos, a de que convive mal com os vizinhos. Havia um projeto de participação da vizinhança em obras locais (por exemplo ajardinamento ou pavimentação do condomínio) que dispensaria ou reduziria gastos municipais. Pois, agora, Rafael Greca, baseado em visão do Ministério Público de que a matéria é inconstitucional, quer revogá-la. Em passado recente, uma das atuações da Urbs era, por exemplo, a de organizar o asfalto comunitário com a cobrança de contribuição de melhoria. A decisão de Greca fortalece o arquétipo do curitiboca isolado.
Pensões
Em Paranaguá, a Justiça foi em cima das viúvas de vereadores, que recebiam pensões, fato invocado pelo Ministério Público, alvo de forte polêmica. Pois agora nada menos de 16 pensões foram canceladas por decisão judicial.
Custo-benefício
O novo pacote fiscal do governador já está em debate e pretende-se com ele economia de pelo menos R$ 100 milhões anuais. Ora, só no saque do fundo de pensão do primeiro ajuste o governo toma, em cima de 33 mil aposentados, quase R$ 2 bi, que antes eram pagos pelo Tesouro. Esse desafogo descapitaliza a ParanaPrevidência e reduz seu horizonte atuarial a algo perto de uma década, segundo especialistas.
O governo deveria ser mais cirúrgico e reduzir o número de secretarias, muitas delas nominais e que causam no conjunto da administração paralelismos e superposições. Reduzir pastas diminui a fome de espaços e a demanda de cargos em comissão. Mas falar nisso em véspera de ano eleitoral é heresia pura.
Menos sol
Curitiba, segundo antigo axioma, tem menos sol que Londres e Berlim e isso, por exemplo, tem influência na fixação da vitamina "D" em nossas gestantes, com 91% delas, conforme pesquisa da Universidade Federal, padecendo dessa grave deficiência.
Folclore
Nos falares do litoral, há forte identificação com o ambiente: o sujeito que tem pequenos sulcos no rosto é "cara de areia mijada" e quem emagrece dramaticamente está igual a "maracujá de gaveta". Essa identificação aparece nos apelidos como o do poeta Osvaldo Nascimento, cujo andar sinuoso deu origem ao "Garrafa n'água". Quem já viu uma delas boiando no Rio Itiberê ou na praia sabe o que é e por que é.





