Conflito entre forças
Está mais do que declarado o conflito entre Ministério Público e Polícia Federal, e agora a polícia judiciária está apontando falhas nas delações da Odebrecht, tida como "o fim do mundo" pelo relato dos seus 77 executivos. Dificultam e comprometem a apuração dos fatos como a mudança de versão por alguns dos delatores e a falta de acesso da Polícia Federal aos sistemas que fundamentaram as planilhas de repasses a parlamentares. É mais do que uma quebra de sincronia que sempre marcou o fluxo da Lava Jato. Recentemente, tivemos a adesão da PF à delação de Marcos Valério, aquele dos dois mensalões, o do PSDB e o do PT e aliados. É que o MP negava andamento ao processo. Sabe-se que esse chega em Fernando Henrique Cardoso e outros tucanos, até aqui um tanto quanto protegidos como se deu especialmente com Azeredo, posto que ocorrido muito antes das prebendas do Zé Dirceu.

Outra divergência – e essa muito séria - foi a consideração pela Polícia Federal de que não há provas do envolvimento dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá mais o ex-presidente José Sarney em ações de obstrução à Justiça como sugeria o Ministério Público.

Há, além de instituições conflitantes, as posições divergentes de ministros do STF que dentro da tradição brasileira emitem juízos de valor em matéria por julgar e adensam as controvérsias, não se sabendo, por exemplo, se ganhará cunho jurisprudencial a decisão por 8 a 3 que entendeu que estar denunciado já inabilita alguém a figurar na sucessão presidencial: se valeu para Renan Calheiros, no caso impedido como presidente do Senado, valeria para Lula. Mas nas fímbrias do Direito nem tudo é assim tão simples e muito menos tão claro.

Apesar dessas novidades, a operação ganhou vitalidade com a prisão do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, reforçada ainda ontem pelo bloqueio de R$ 3,4 milhões das suas contas por ordem do juiz Sérgio Moro.


Menos atolado
As sete maiores economias do país (São Paulo, Rio, Minas, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Bahia) sofrem com o peso da previdência em suas contas. A do Rio Grande do Sul é a mais desequilibrada, ao destinar para aposentadoria o triplo do despendido em educação, Das unidades mais desenvolvidas do Sudeste e Sul, o Paraná é até a relação menos afrontosa: no ano passado gastou R$ 9,8 bi em educação e R$ 8,4 bi em previdência.

PM rebelada
Em carta aberta, firmada por oficiais da Polícia Militar, há o pedido de destituição do secretário Wagner Mesquita, da Segurança, ao governador Beto Richa. Há quem lembre que José Richa teve situação parecida em seu governo quando seus dois melhores secretários, o de Planejamento, Belmiro Castor Jobim, e o de Fazenda, Erasmo Garanhão, entraram em conflito por causa de comissões indevidas num empréstimo internacional. O governador demitiu os dois em prejuízo da verdade. Agora, esse manifesto se dá na sequência de incompatibilidades, reveladas no âmbito administrativo, entre o secretário e o comando da Polícia Militar. O ato é de aberta solidariedade ao coronel Maurício Tortato, comandante da PM.

Progressões e promoções
Embora com o ambiente carregado em função da carta de oficiais da PM, Beto Richa anunciou ontem, com euforia, como se estivesse superando mais um degrau do seu ajuste fiscal, que iria retomar o pagamento das progressões e promoções de 2017 com o que finalizaria a etapa da reengenharia em andamento, e daqui para a frente com a promessa de quando houver aumento da arrecadação, o pessoal do Executivo voltará a ter aumentos. Dois setores dos mais ativos, sindicalmente falando, professores e policiais civis, eram os mais interessados na demanda, inclusive estavam bloqueados pelo fundo de pensão estadual a de receber o último nível de número 11 da progressão e que nada conseguiam mesmo indo à justiça.

O charme mais forte
Funcionários municipais, da ativa e aposentados, fizeram de tudo, inclusive apelando à rebelião, para emplacar suas reivindicações no pacote de ajuste fiscal. Agora, num dos desdobramentos do pacote, que alcança incidência sobre profissionais liberais (cobrança atualizada do ISS) e outra em operações imobiliárias organismos como a OAB e a ACP, em número de 20 instituições, parecem ter convencido vereadores, ou ao menos parcela deles, à retirada dessas medidas do pacotaço. Quem pode pode, quem não pode se sacode, tal é o destino do lado mais fraco de conflitos dessa ordem. É o doce charme dos reivindicantes.

Mais ranking
A Universidade de Lavras (MG), tem uma rede de 22 mil seguidores, que fazem pesquisas e estudos sobre mortes de animais selvagens em estradas. Como temos parques e áreas de refúgio, aparecemos com destaque nessa relação: somos o quarto.

Folclore
Tanto Paranaguá como Antonina são dadas ao hábito de apelidar pessoas a três por dois e valem-se disso para se agredirem. Quando o empresário Silvio Drumond ergueu o primeiro arranha céu de Paranaguá, os parnanguaras diziam que era para fazer sombra em Antonina e os capelistas responderam como o histórico Leonidas: "Melhor combateremos à sombra". No original, é a resposta à afirmação de que nossas flechas são tantas que cobrem o sol.

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