Reação da Lava Jato
A prisão ontem do ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, na quadragésima segunda etapa da Lava Jato, indica a retomada de iniciativas do maior processo de combate à corrupção já desencadeado no país e que atinge a esmagadora maioria da classe política. Ações do governo e da sua base aliada, agregadas à barragem parlamentar para impedir o processamento do presidente Michel Temer, mais o andamento das reformas, estavam desaquecendo a ação punitiva, inclusive pelas revelações de abusos autoritários e agora acentuados nos conflitos entre Polícia Federal e Ministério Público nos episódios de Marcos Valério no mensalão do PSDB e na absolvição sumária dos senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e mais o ex-presidente Sarney da denúncia de obstrução da Justiça. Pois ontem a sincronia entre a polícia judiciária e Procuradoria da República foi restabelecida no decorrer da prisão do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras.

As apostas sequenciais do fluxo punitivo residem em Lúcio Funaro já que a de Eduardo Cunha é cada vez mais remota, e tanto que seu defensores se animam a um novo pedido de habeas corpus contestado por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, no argumento de que a quadrilha permanece ativa e o ex-presidente da Câmara Federal continua, mesmo preso, angariando propinas.

Já Temer teve nos dois últimos dias novos ganhos com a derrubada da liminar que anulava a alta dos combustíveis e novas adesões à barragem parlamentar, todavia, está consciente dos desdobramentos da alta dos combustíveis na anulação do instrumento para garantir mobilidade urbana via tarifas dos transportes mais outras perversidades, além da alta dos custos de produção e uma forte onda de desemprego que o presidente da Federação dos Transportes de Cargas, Sergio Maluceli, estima em 26 mil só no Paraná, o que dá bem uma ideia do impacto nacional só nesse segmento. Além de tudo, por se tratar dos chamados preços administrados, exercem o máximo de impacto na inflação, hoje em baixa e distante dos 4,5% como indicador.

Não é cartel
O Sindicombustíveis reagiu quanto à denominação de cartel, alegando que é o representante legal da categoria dos empresários dos postos e defensor da livre concorrência. Às vezes, no entanto, como no caso do alinhamento de preços, age como tal e até há decisões da Justiça nesse sentido como já se deu em Londrina. Uma suposta competitividade entre postos, como se dá mesmo em áreas concentradas como a dos supermercados, elidiria essa hipótese e tornaria inaplicável o conceito, mas no caso do Setransp, o sindicato das empresas de transporte coletivo da capital, por exemplo, ao reger um oligopólio, opera com tais características, a de cartel, questão levada a exame do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e até hoje não respondida. Segundo o Sindicombustíveis, o uso da expressão é inadequada porque atua dentro da lei e de rígidos padrões éticos e amplo respeito à livre competição. Além de tudo, apoia fiscalização como as que detectaram manipulações nas bombas e alteração de registros e às centradas em adulterações da matéria prima, desde que assegurem aos acusados o exercício da ampla defesa.

Bituruna
A ação preventiva da polícia no sentido de evitar um assalto coletivo a todas as agências bancárias de Bituruna teve ontem novo capítulo com a prisão de um suspeito que arrumara carona num caminhão com destino ao litoral. A gangue que bolou o assalto levava em conta que os caixas dos bancos estavam abarrotados em função da festa da uva na região.

Conflito
Se o Uber for regularizado, isso não evita a quebra do sistema pela impossibilidade de retorno e ainda com os acréscimos em taxas e tributos o que baixariam ainda mais a remuneração. Mesmo sem os aplicativos, taxistas estariam vivendo parte da recessão brasileira e a limitação da frota concorrente não os livraria da crise que alcança todos os setores, ora abalados também com a alta dos combustíveis e suas sequelas na economia de um modo geral. Do lado da prefeitura, a taxação, inclusive do ISS por motorista, suavizaria a amarra fiscal. A ânsia em aumentar a arrecadação é de tal ordem que tentam mudar os critérios da cobrança do ISS a profissionais liberais.

O projeto do vereador Jairo Marcelino agradou parte da classe dos taxistas por reduzir níveis da concorrência tida como desleal, mas há grupos radicais que desejam o fim de qualquer tipo de concessão em favor dos aplicativos. Só não convencem logicamente os usuários que pagam menos de 50% das tarifas normais e que já provocaram a baixa das operadoras, com o uso de aplicativos, em 30%. Essa polêmica vai longe.

Folclore
Ontem, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba desvendou uma agressão que se fazia com um aterro no qual depositavam restos de construções. Dá para lembrar da mancada dos autores do primeiro projeto, na verdade estudos preliminares, voltados ao metrô e que haviam esquecido justamente da área para depositar o material escavado. Dá para imaginar o drama que essa amnésia geraria.

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