LUIZ GERALDO MAZZA
O cartel responde
Esta FOLHA registrou em manchete que a decisão judicial que interditou a alta da gasolina não estava sendo observada e ontem o cartel dos distribuidores, o Sindicombustíveis, anunciou que o registro das suas bombas é irreversível porque é o último elo da cadeia, ainda que favorável à decisão judicial. Outra constatação foi a de que em Londrina, como nas demais cidades do Paraná, inclusive a capital, comercializava-se o combustível, mesmo o de estoque antigo, o que foi comunicado ao Procon, pelo novo preço.
O esforço ontem para reverter a decisão judicial era a prioridade máxima no governo federal, acima até mesmo da barragem parlamentar na defesa do mandato de Michel Temer, ora olhado como o salvador da classe política, uma espécie de Sassá Mutema, e detentor da unanimidade de apoios identificando, desde já, sua vitória e, por extensão de toda a fauna, nos primeiros dias de agosto, mês dos grandes embates da história brasileira como o da tragédia de Getúlio Vargas em 1954 e da tormentosa renúncia de Jânio Quadros em 1961. Essa aura mítica era um dos fatores que animava a oposição, cujas perspectivas são cada vez menores, não havendo chance sequer para a manobra de obstrução pela ausência de seus integrantes do plenário. Os discursos, no entanto, tentam sugerir que há possibilidade de a denúncia emplacar para a manutenção do clima. No lado do governo, apesar da convicção de vitória, evita-se a expressão do salto alto.
Já do lado do Ministério Público Federal, ora tendo trombadas negativas com a Polícia Federal como se deu no caso da denúncia de obstrução judicial contra os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá e o ex-presidente José Sarney, todos inocentados, tenta-se afinar as delações premiadas ainda para antes da saída de Rodrigo Janot em setembro, mas que aparentam cada vez menor eficácia.
Nem a rejeição de Temer por 98% dos eleitores, evidenciada nas pesquisas, traz ânimo aos denunciantes e à força-tarefa da Lava Jato que pelas atitudes de procuradores aparenta estar num mau momento de aberta contestação e acentuado declínio.
Por Londrina
Para acertar o segundo turno da eleição em Londrina, o governo Lerner, que tinha Emília como vice, fez de tudo para eleger Antonio Belinati, inclusive a aquisição de 45% das ações da Sercomtel pela Copel. Na sequência dessa herança política, vieram os casos da Ama-Comurb em que já surfava naqueles mares o celebrado doleiro Youssef que teria participação no primeiro embate do juiz Sérgio Moro, o da sacanagem também da Banestado CC5. O QG do governo com força-tarefa de empresários e operadores de marketing eleitoral se deslocou à cidade para garantir a vitória. Consequências estão aí como a decisão judicial mais recente sobre as ações da Sercomtel consignadas à Corretora Banestado que agrava a situação já dramática da empresa de telefonia.
Uber, só a metade
O vereador Jairo Marcelino, que joga na área dos transportes, protocolou na Câmara Municipal de Curitiba sua proposta de limitar à metade da frota existente de táxis à dos aplicativos como o Uber, com o que condena a prefeitura à inanição já que tem interesse em faturar ao máximo. Veste a camisa, o que já dá algum ânimo. Ora, todos sabem que há mais de oito mal cadastrados e a tese é igual a que boa parte da classe defendia quando Gustavo Fruet, de forma acertada, resolveu aumentar a frota em mais 700 veículos, o que era uma falácia em defesa da reserva de mercado. Parte dos taxistas, desde que os aplicativos também paguem tributos, aceita o novo quadro. A Urbs continua em tarefa repressiva contra o Uber, mas perdeu moral com a decisão do prefeito. Sobre a alta dos ônibus não chiou.
Vandalismo
O mesmo que ocorre com fios elétricos se dá com grades de boca de lobo e tampas de boeiros livremente roubados e negociados por alto preço. No Campo de Santana, aquele que Jaime Lerner transformou em "rurbana" e ganhou até o apreço dos militares, e a curiosidade do escritor Alvin Tofler ("Choque do futuro" e "Terceira onda") que veio até aqui para conhecê-la, nada menos de 40 grades foram arrancadas e a prefeitura se limitou em fazer o boletim de ocorrência já que a sua polícia, a Guarda Municipal, e a do Estado se mostram impotentes no combate. Rurbana virou uma urbana marginal pelos hábitos.
Vacina
Mais uma faixa etária foi incluída como emergente na campanha de vacinação: crianças de 5 a 9 anos e adultos de 54 para cima.
3 meses
Até agora, passados três meses, não se descobriu a causa das turbulências e infecções que atingiram três pessoas que haviam sido submetidas à vacinação contra a gripe na Unidade de Saúde Medianeira, bairro Boa Vista. Deve ser reaberta na próxima semana e afinal a causa da ocorrência fica sem explicação.
Folclore
Sergio Matulevicius, repórter fotográfico, é escalado pela revista "Panorama" para cobrir os quebra-quebras sucessivos por causa da falta de luz em 1961 em Paranaguá: viaja num vagão de trem toco duro, de segunda classe, e chega no litoral com as pernas amortecidas. Para ativar a circulação, bate com o pé no solo e sai perguntando, a três por dois, onde é o local do "quebra". Na segunda roda já ganhou o apelido "robô curioso".





