Esplendor do sofisma
Não adianta haver jurisprudência firmada sobre um tema, como se dá no andamento do processo de cassação da chapa Dilma-Temer, pois nada impede que os digladiantes se valham do oposto para sustentarem seus pontos de vista. Ficou demonstrado que, além do processo em sua origem fazer referência à Odebrecht e à propina com o óleo da Petrobras, havia ainda jurisprudência no sentido de acatar fatos novos posteriores à denúncia, e isso tanto na Justiça Eleitoral como no STF.
E assim se dá também com cláusulas pétreas e normas autoaplicáveis constitucionais, postas em questão com a maior naturalidade, como se esse tipo de exercício se validasse no amplo direito de defesa. Esforços para uniformizar ou deixar claro mesmo aquilo que é pacífico na doutrina e na jurisprudência se tornam inúteis com a força do sofisma. A avalanche é de tal ordem que dá a impressão que Sócrates, com a perseverança do método e da lógica, não os combateu e nem existiu. Num clima dessa ordem, como esperar que a força da súmula vinculante para condicionar decisões e impô-las com o fim de evitar as protelações quase sempre dispersas na concessão e derrubada de liminares e que têm um rumo claro o da prescrição, tão presente na rotina processual.
O pior é que, para exercer esse papel, desaparecem o sentimento da autocrítica e do ridículo com os personagens em cena agindo como atores que confiam mais na burla do que nas referidas doutrinas. E isso se torna marcante no momento em que a espetacularização é a linha geral de tudo dos processos da Lava Jato a esse julgamento da chapa Dilma-Temer em que o jurídico está contaminado pelo político, tal qual a contingência que afeta a economia brasileira e isso de forma irremediável.

Sinais
Sinais no horizonte econômico, uma espécie de lubrificante para reformas: a antecipação do FGTS das contas inativas, mais a liberação de lotes de restituição do IR e, em especial, o registro de que a fatia de investimento estrangeiro teria chegado a 18,6% no fim do primeiro trimestre, maior nível desde 2002. Não fosse a mala do Rodrigo Rocha Loures e a gravação da JBS, tudo estaria no azul e a solidez do governo Temer, apoiada pelo capital financeiro, estaria assegurada. Aliás, ele e sua equipe dão sinais de que essa é a realidade e que tiram tudo de letra no fim da novela.

Creches
Volta e meia, algum segmento do Ministério Público, seja o do trabalho ou o estadual, levanta a questão delicada da falta de creches para garantir às mães a sobrevivência profissional e sabe-se que o deficit só na Capital seria de 7 mil unidades. Recentemente, o Ministério Público recorreu de decisões que dificultavam criação de creches na capital, Londrina e Cascavel.

Pode agravar
A perspectiva de mais chuvas e vendavais, superiores a 60 km horários, preocupa em todo o Paraná a Defesa Civil que conta até agora com nada menos de 14 mil desabrigados. Melhorou muito a logística de atendimento em função da frequência dos desastres naturais.

Gás e energia
Pelo jeito não há um só setor da Petrobras que não tenha sido alvo de roubo: na quadragésima etapa da Lava Jato, a Procuradoria da República processa três gerentes e três empresários nas áreas de gás e energia num desvio de R$ 150 milhões. Nossa empresa gigante é tão ou mais vulnerável do que a defesa do Vasco da Gama, tudo dissimulado pelo discurso de que expressa a soberania pátria. Discurso condoreiro não esconde a sacanagem.

Serra segura
Levantamento recente da Polícia Rodoviária Federal, decorrente da operação Serra segura, mostrou que no andamento de 63 ocorrências deu para perceber que 27% dos caminhões apresentavam algum tipo de deficiência, a mais comum delas a falta de freios. É uma das avaliações cabíveis, principalmente, nas tragédias de Balsa Nova na acidentadíssima BR-277 .

Mobilização
As matérias mais polêmicas do pacote de Rafael Greca (em viagem à Argentina e com a capital gerida pelo vice Eduardo Pimentel), já aprovadas nas comissões, vão a plenário na semana entrante: a que mexe na contribuição previdenciária, a que estabelece o leilão das dívidas, a que impede a tramitação de planos de carreira e o reajuste salarial. Embora com escassas condições de luta, os sindicatos pretendem ir para o bom combate.

Folclore
Mesmo na ditadura do Estado Novo, a rapaziada do Ginásio Paranaense se exibia nos desfiles patrióticos diante dos seus rivais, polidos e bem educados, do Colégio Santa Maria. E havia desafios que os maristas (fossem os do Santa Maria ou do Internato Paranaense) jamais, por postura cívica, aceitariam como o de irreverências às autoridades no palanque oficial na Avenida Luis Xavier à frente do Cine Ópera. A banda do Paranaense transbordou: tocando a ritmo da moda, a Conga, e com todos seguindo o balanço em seus uniformes, despertaram a ira de um editorialista de jornal que desceu o pau na rapaziada. Depois, os anjos de cara suja ainda ameaçaram empastelar o jornal, no que foram detidos pelo diretor Francisco Ribeiro que os exortava, de um carro, apelando ao latim e a referências históricas.

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