A questão capilar
Está levantada uma polêmica em relação à prisão de Rodrigo Rocha Loures, por sinal que ainda ontem não decidida quanto à localização: cortam ou não o seu cabelo? Questão já colocada pela defesa, certamente, preocupada com a autoestima do paciente que é preciso manter elevada para evitar hesitações e eventual propensão à delação premiada. O habeas corpus, obviamente, não emplacou pela jurisprudência de que decisões monocráticas de prisão o impede.
Uma das situações mais agudas com Sérgio Cabral foi justamente essa do corte do cabelo que, vinculada ao uniforme, gerava um quadro humilhante, ainda que apoiado pelo público em suas compensações psicológicas em ver o poder submetido à Justiça, o que nada tem de comum. Mas se esse regramento é geral e se funda em razões até de higiene e não figura como um aparato de execração, afora tratar-se de regra de disciplina, a troco de que se estabeleceria um privilégio para não abalar o ânimo desse preso provisório?
Mas é na visão de detalhes como esse, ou do caso do pleito de Michel Temer por mais prazo para responder o longo questionário da Polícia Federal acatado pelo ministro Edson Fachin, é que se percebe que o processo, não apenas nesse caso, é acompanhado passo a passo no entrevero de advogados e procuradores, e também no choque intrapoderes, tudo em tempo real, das questões profundas até eventuais provocações para desequilibrar Sérgio Moro.
Na advocacia valem desde os lampejos acadêmicos, que desvelam mestrados e doutorados, às pegadinhas e os recursos maliciosos da provocação. Urge tudo esgotar e isso em todos os lances, inclusive, como se vê no julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE ontem suspenso, todavia que hoje tem continuidade no acirramento das posições doutrinárias que fazem prever um placar apertado, ontem com um viés levemente favorável ao presidente. Por sinal que, o avanço da reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ainda que por 14 a 11 votos, mostra a determinação do presidente e de sua base aliada em fazer das reformas o surf ideal do momento na aliança com o mercado e o capital. O que parece fuga e escapismo ganha tonalidade fortemente defensiva.
De repente, o cabelo bem posto do Rodrigo Rocha Loures é um detalhe com status claríssimo e estratégico até para esquecer do Sérgio Cabral na sua desdita. É que como o cabelo a pessoa também pode cair, o que é fortemente redundante.

Inquérito
Agiu bem a área de segurança em abrir inquérito - e rigorosíssimo - para apurar responsabilidades no caso da nova tragédia na BR-277 em Balsa Nova que envolveu 10 caminhões e quatro automóveis com saldo de quatro mortos e vários feridos. Afinal, não é possível acolher tal tipo de sinistrose como fato corriqueiro tal qual outro ocorrido na semana passada. Tudo se pode aceitar: acaso, tragédia, mas de jeito nenhum a omissão.

Prioridade
Rafael Greca tinha apontado como prioridade absoluta de sua administração, a área de saúde e havia indicado um comandante para operá-la, o geriatra João Carlos Baracho, que comandou conselhos da área médica por longo tempo. Pois o Baracho, que vinha dando um tom forte à Secretaria Municipal, teve que tirar o time por não estar bem de saúde. Na verdade, dá para captar que o drama mais abrangente do município é a questão fiscal que se tenta resolver ou pelo menos abrandar com o pacote em trâmite na Câmara. A emergência das chuvas e seu impacto sobre os desabrigados apenas acentuou as dimensões da crise, e os funcionários municipais fizeram lembrar aos vereadores que eles estão como as vítimas das cheias em função do pacote: perdem direitos, da singeleza do salário ao bloqueio dos planos de carreira e ainda o aumento da contribuição previdenciária. Dramatizar é preciso e o problema é saber quem está na pior e, consequentemente, diante da asfixia fiscal, considerar a saúde como uma prioridade passa a ser puramente retórica.

CPIs
Comissões parlamentares de inquérito, como as nossas locais, normalmente ridículas, ou essa mais recente criada no Senado, e de caráter misto, para investigar a JBS opera como resposta legislativa ao inconformismo da sociedade com as benesses concedidas ao grupo bilionário em troca da delação premiada. Nossa tradição no tema não é boa, bastando lembrar aquela primeira da Petrobras arquivada num clima de suspeita envolvendo o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra e também mal detalhada. Até nesse aspecto os políticos se desmoralizam instrumentando CPIs, simplesmente para levar mais vantagem, como têm feito e de forma sistemática.

Folclore
Caco Lacerda passou a escrever artigos críticos contra o bruxo Anibal Curi. O Buda resolveu replicar e ampliou um texto, apoiado em gravura, de autoria do Lacerda, que o elogiava, e colocou no mural do seu gabinete. Réplica do Antonio Carlos Lacerda: artigo de jornal é que nem bula de remédio e também tem prazo de validade.

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