Ausência de liderança
Ney Braga e Munhoz da Rocha - e poderíamos incluir aí Paulo Pimentel bem como outros dos nossos governadores - não tiveram o respaldo eleitoral de um Beto Richa, ganhador de duas eleições em primeiro turno sucessivas, mas tiveram mais habilidade, talento e determinação em suas relações com os demais poderes. Houvesse essa condição e não teríamos esse absurdo de o funcionalismo do Executivo sofrer mais restrições salariais do que os de outros poderes. Afinal, a recessão e o ajuste fiscal são comuns a todos e, da mesma forma que lá no início da crise acertou o caixa único junto ao Judiciário, deveria desenvolver o máximo esforço para a socialização dos sacrifícios , o quanto possível, dos demais poderes à base da persuasão doutrinária.
Aceitando que é o causador de todo o desequilíbrio de gestão permite aos outros setores que atuem com maior desenvoltura, apesar daquilo que o Mauro Ricardo Costa chamou de "ilhas de tranquilidade" e que tanto irritou, à época, o Judiciário. Como não se dispõe - e se fosse um líder essa seria a sua missão primordial - ao exercício do convencimento para que todos tenham a sua cota de responsabilidade no esforço de ajuste, cria situações como essa do contingenciamento de verbas nas universidades, outra evidência anômala do tratamento desigual.
Na verdade ,a impressão dominante é a de que o governador quer justamente evitar atritos intrapoderes – especialmente Judiciário, Procuradoria de Justiça e Tribunal de Contas -, ainda mais num momento em que seu governo se enlaça na área judicial tanto a interna como a decorrente de investigações na instância superior. Reduzir a taxa de conflitos pode ser muito mais do que mera acomodação. Por sinal que, em boa parte dos casos, paga pelo ônus da proteção que concede aos que incidem em desvios.

Mais sinais
Se houvesse mais sinais de reação do mercado como essa abrangente do PIB depois de dois anos de queda com o registro de 1% no trimestre e fatos isolados como o do aumento de venda em 16,77% de carros novos em maio em relação ao ano passado, o governo Temer poderia anunciar, como está fazendo precipitadamente, o fim da recessão, o que foi também celebrado por seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.
Resíduos da crise política ameaçam botar tudo isso abaixo, por exemplo, com o ato singelo da prisão de Rocha Loures já solicitada, mais de uma vez, pela Procuradoria da República. Não houvesse isso e mais a mala com meio milhão, ainda que a gravação sem perícia não seja aceitável, teríamos um salto das reformas, a calmaria chegando à base aliada e brecando possível fuga em massa, caso tudo deteriore.

Creches
Em cinco meses, a Prefeitura de Curitiba anotou três invasões diárias nas creches como se já não bastassem as de violência e roubos nas unidades de saúde e nas escolas. Da mesma forma que há mais de cinco assaltos em ônibus de transporte coletivo ao dia e o festerê de violência, tudo devidamente anotado em pesquisa, nas praças. Como exigir segurança num momento em que são frequentes as fugas de presos nas cadeias superlotadas ?

Mais pesquisa
Como estamos percebendo, o que não falta é pesquisa e agora saiu outra da Fecomércio a apontar que as famílias mais ricas (acima de 10 salários mínimos) estão atoladas em dívidas, especialmente no cartão em 93%, ainda que as taxas de inadimplência ocorram mais nas classes mais pobres C, D e E.

Eleição
Sacraliza-se e muito a tal da eleição direta nas escolas, uma concessão ao populismo que apenas acentuou a piora na qualidade do ensino e o domínio do baixo clero pelo horror ao mérito. Agora, vamos ter um longo debate em torno desse avanço com a anulação pela Justiça Federal da eleição do reitor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Muralha
Operação Muralha na fronteira capturou R$ 5 milhões em mercadorias, armas, drogas e prendeu 20 pessoas.

Folclore
Havia emulação entre o Parlamento e o STF na análise da questão do foro privilegiado.
O Congresso saiu na frente e no Judiciário o julgamento foi suspenso depois de quatro terem votado a favor de que a prerrogativa de foro valha apenas para julgar crimes cometidos durante o exercício do cargo e que tenham relação com este. Crimes comuns devem se dar em tribunais ordinários. A ministra Rosa Weber ponderou: como dar foro privilegiado a um parlamentar acusado de infringir a Lei Maria da Penha? Bater na mulher não é crime ligado ao exercício do cargo e o STF é chamado a julgar coisas do gênero.

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